13/02/2019 – O que sai da pessoa… (Mc 7,14-23)

Prossegue a polêmica entre os fariseus e os discípulos de Jesus, acusados de não seguirem as tradições dos antigos, como a rígida preocupação com a pureza ritual, que insistia em classificar os alimentos como puros e impuros. Jesus corta a discussão pela raiz, afirmando que o que “sai” da pessoa é que a torna impura.

Em sua Carta, o apóstolo Tiago iria chamar nossa atenção para a absoluta incompatibilidade entre o bem e o mal que costumam sair de dentro de nós: “Porventura a fonte faz jorrar, pelo mesmo orifício, água doce e água amarga? Porventura a figueira, meus irmãos, é capaz de produzir azeitonas, ou a videira, figos? Assim também a fonte salina não pode produzir água doce”. (Tg 3,12)

E Jesus resume esta evidência em um princípio definitivo: “Pelos frutos os conhecereis!” (Mt 7,16) Segundo este critério, nossas palavras e nossas ações serão em definitivo a prova palpável dos sentimentos que alimentamos dentro de nós. Pode a mesma boca proclamar louvores a Deus e, em seguida, caluniar o próximo?

Barsanufo de Gaza, um antigo Padre do deserto, da Igreja Copta, escrevia a um discípulo: “Se a atividade interior não vem em ajuda, depois de Deus, ao homem, este se fatiga externamente em vão. A atividade interior vivida com a contrição do coração traz a pureza; a pureza traz a verdadeira quietude do coração; esta quietude traz a humildade, e a humildade faz do homem a habitação de Deus. Desta habitação são banidos os demônios perversos e seu chefe, o diabo, com suas paixões vergonhosas, e o home se torna um templo de Deus, santificado, iluminado, purificado, enriquecido de graça, cheio de todo bom odor, de ternura e de exultação. O homem se torna portador de Deus, e ainda mais: ele se torna deus, conforme esta palavra do Salmo: ‘Eu o disse: vós sois deuses, e sois todos filhos do Altíssimo’ (Sl 82,6)”.

No entanto, é mais comum do que parece esta espécie de neurose em que o cristão tenta conciliar uma aparência de religiosidade com uma treva interior onde domina a preguiça, a cupidez, a ambição material, a busca de luxo e conforto, tudo no polo oposto ao espírito de Evangelho que Jesus nos veio anunciar.

Sem dúvida, a confissão frequente e a direção espiritual seriam os remédios adequados para a nossa cura interior.

 

Orai sem cessar: “Porei a minha lei no seu coração…” (Jr 31,33)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.