O noivo está chegando! (Mt 25,1-13)

Foi este o grito no meio da noite, quando as dez virgens esperavam pela chegada do noivo. Mas há uma diferença entre esperar e vigiar. Cinco delas eram loucas (“morai”, , no texto grego) e não apenas “descuidadas”, como leio em certas traduções; por isso, não providenciaram azeite de reserva para suas lâmpadas. Como o noivo demorou muito, suas lamparinas se apagaram. As infelizes apenas esperavam…

As outras cinco eram prudentes (“phronimoi”, ), isto é, estavam em seu juízo. Por isso mesmo, providenciaram azeite de reserva e tinham as lâmpadas acesas à chegada do noivo. Estas cinco vigiavam. Donde se conclui que esperar por Jesus sem contar com o óleo do Espírito Santo é rematada loucura.

Muitos mestres espirituais nos ensinam a rezar a partir das parábolas de Jesus. É o que faz Lev Gillet, o monge da Igreja do Oriente:

“A voz se faz ouvir: ‘Eis o Esposo. Ide ao seu encontro’. Ele vai chegar. Desperta, ó minha alma. Tu foste uma das virgens loucas. Tua lâmpada se extingue. Onde encontrarás o azeite para reavivar a chama? Não há mais tempo para comprá-lo. A porta do salão será fechada?

Meu Salvador, neste minuto derradeiro, é a ti mesmo que eu pedirei o azeite. Eu só mereço a tua recusa. Mas eu não me apoio em nenhum mérito que seja meu. Espero tão somente em tua misericórdia. Não posso mais comprar o azeite. Então, dá-me de teu óleo, gratuitamente.

A morte: aurora em que se levanta o verdadeiro sol. Encontro com o Noivo. Eu vou encontrá-lo, ver sua face. Vou lançar-me nos seus braços. Se eu me refugio nele, irá me afastar? Como outrora, ele está na margem, no amanhecer, esperando seus discípulos…

Mas, não. A morte não é o encontro com Jesus. Ela é apenas a clara visão. É antes da morte que eu já devo ser levado por ele e repousar em seu abraço. É com ele, já agora, entre seus braços, que eu devo atravessar a garganta estreita da agonia. Mas ao sair desta garganta, eu deixarei de ser cego. Eu verei aquele que me carrega. Verei em plena luz aquilo que obscuramente eu pressentia na noite.

Teu Bem-Amado te levará até o ponto em que ele erguerá o véu e tu o verás.”

Enfim, permanece em segredo o dia da vinda do Filho do homem. Daí, o conselho de Jesus: “Vigiai e orai, porque não sabeis o dia, nem a hora…”

Orai sem cessar: “Vou preparar uma lâmpada para o meu ungido…” (Sl 132,17)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.