O noivo está chegando! (Mt 25,1-13)

Exclusiva do Evangelho de Mateus, esta parábola – diz Hébert Roux – pode ser lida como uma alegoria sobre o arrebatamento da Igreja ou, ainda, a vinda da Nova Jerusalém. É que certos manuscritos, no vers. 1, fazem menção da “esposa” ao lado do esposo, o que justificaria esta interpretação.

No Novo Testamento, várias vezes Cristo é apresentado como o “esposo” que se prepara para as núpcias, e a imagem de um “casamento” ou Aliança entre Deus e seu povo atravessa toda a Escritura.

Mas o interesse central desta parábola – comenta H. Roux – está na importância dada ao momento crucial da chegada do esposo que se faz esperar no meio da noite.

O momento da vinda do Filho do homem é e permanece secreto: é conhecido apenas de Deus e só depende de sua vontade. Pode estar perto ou longe, pode ser precipitado ou retardado. Na realidade, ele é ao mesmo tempo próximo e remoto. Quando, depois de ter demorado, enfim chega o esposo ‘no meio da noite’, sua vinda ainda permanece súbita e surpreendente, como se chegasse mais cedo que o esperado.”

A Escritura Sagrada está repleta de perguntas semelhantes: “Quando será? Até quando devemos esperar?” E o próprio Jesus a responder-nos: “Não cabe a vós saber dos tempos e momentos…” (Cf. At 1,7) Trata-se de uma decisão soberana de Deus, em sua infinita liberdade – certamente orientada pela misericórdia…

Como pano de fundo, o TEMPO. A história dos homens, sim, mas acima de tudo a história de cada um de nós. A entrada no Reino ou a exclusão dele dependem da maneira como usamos nosso tempo (feito de horas, dias e anos) vivido na expectativa de sua Vinda.

As dez virgens – cinco sábias, cinco loucas – são a imagem da escolha que fazemos “enquanto temos tempo”, pois este tempo tem um limite, que não será estendido. A “sabedoria” está em manter acesa a lâmpada da fé, cujo combustível é o azeite do Espírito Santo. A “loucura” consiste em abrir mão da vigilância, deixando que se apague a nossa pobre lamparina, quando a imprevidência ignora os dons do Espírito e passa a viver de seus próprios recursos, mergulhada no torpor e na sonolência de uma vida estéril.

Para quem manteve a lâmpada acesa, a morte é uma noite iluminada…

Orai sem cessar: “O Senhor é minha luz e minha salvação!” (Sl 27,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.