31/07/2015

O filho do carpinteiro… (Mt 13,54-58)

A “descoberta” de Jesus Cristo continua sendo um mistério insondável. Ao longo da história – desde Saulo de Tarso, passando por Agostinho de Hipona e Iñigo de Loyola, Ratisbonne e Charles de Foucauld -, muitos testemunharam o encontro com Jesus Cristo, homem e Deus, Filho de Deus, nascido de mulher. E esse encontro virou de cabeça para baixo a vida de quem o encontrava.

Misteriosamente, porém, numerosa multidão passou ao lado de Cristo e não o reconheceu. Nas esquinas da vida, cegados por interesses e ideologias, viram em Jesus só um sábio judeu, um agitador político, o filho do carpinteiro.

Esta constatação deve levar-nos à mais profunda gratidão pelo dom da fé. Afinal de contas, não foi por nossa esperteza ou pela inteligência superior que a fé brotou em nossos corações: é puro dom. Pura graça! Sinal do amor de Deus por nós, manifestado através da herança dos pais, das tradições nacionais, da presença da Igreja. Sem estas oportunidades, como chegaríamos a crer?

Lembro a conversa telefônica com um amigo, pai de três ex-alunos meus. Após anos sem contato, ele dizia: “Eu continuo o mesmo que você conheceu: não creio em nada…” Naquele momento, cresceu em mim a compreensão do grande presente que recebemos com o dom da fé! Crer não tem preço…

Os contemporâneos de Jesus raspavam os cotovelos no Verbo de Deus encarnado, mas poucos o identificaram. Raros os que chegaram ao ato de fé. Os vizinhos de Nazaré ficaram fixos na imagem banal do filho de José, o artesão. E não devemos culpá-los facilmente, pois eles viram o garoto Jesus buscando água na fonte, firmando a peça de madeira que José serrava, correndo na rua com os moleques da aldeia. Humano demais… comum demais…

Não sem motivo, os judeus pediam “sinais”. O Messias esperado devia ser alguém fora do comum. Acostumados com um passado de grandes milagres – o Mar Vermelho partido em dois, maná caindo do céu por 40 anos no deserto, as muralhas de Jericó detonadas a golpes de… trombetas! – o povo de Israel não percebeu Jesus como o Prometido de Adonai. Por isso não o reconheceram…

Hoje, é a nossa vez. Este tempo ao nosso alcance é a oportunidade que nos foi dada para identificar Jesus Cristo como o Filho de Deus que se encarnou e, amorosamente, entregou a vida para nos salvar da morte eterna.

Pilatos chegou perto. Até perguntou: “Então, tu és rei?” (Jo 18,37) Mas cedeu a outros interesses e não acolheu a Verdade. Qual será nossa escolha?

Orai sem cessar: “Tu és o Cristo, Filho do Deus vivo!” (Mt 16,16)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.