O Espírito Santo vos ensinará… (Lc 12,8-12)

Gosto muito de uma passagem do Antigo Testamento que define o Espírito de Deus como alguém encarregado de nos educar: “O Espírito Santo, educador das almas, fugirá da perfídia, afastar-se-á dos pensamentos insensatos…” (Sb 1,5.) De fato, temos no Espírito de Deus um “mestre interior” – o único que nos pode revelar o mistério divino que se encerra na pessoa de Jesus Cristo. Sem esse Mestre, a Palavra de Deus permanece como linguagem cifrada, impenetrável à lógica dos humanos.

Quando Jesus se preparava para entregar-se à Paixão e separar-se de seus discípulos, falou repetidamente do dom do Espírito Santo como um “revelador”, alguém que poderia devolver aos corações humanos o sentido perdido de sua existência e dos projetos de Deus.

Assim, em S. João, podemos ler: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conhecereis,, porque permanecerá convosco e estará em vós”. (Jo 14,16-17.)

Ou, logo a seguir: “Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.” (Jo 14,26.) E reafirma, ainda, sua função pedagógica: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão”. (Jo 16,13.)

Desde Pentecostes, a Igreja percebeu que só poderia ser o “Corpo de Cristo” sendo habitada pelo Espírito Santo. O Vaticano II, na Constituição Lumen Gentium, reconhece a ação do Espírito na Igreja: “O Espírito habita na Igreja e nos corações dos fiéis como num templo (cf. 1Cor 3,16; 6,19). Neles ora e testemunha a adoção de filhos (cf. Gl 4,6; Rm 8,15-16.26). Conduz a Igreja a toda a verdade (cf. Jo 16,13). Unifica-a na comunhão e no ministério. Dota-a e dirige-a mediante os diversos dons hierárquicos e carismáticos. E adorna-a com seus frutos (cf. Ef 4,11-12; 1Cor 12,4; Gl 5,22).” (LG, 4.)

Pairando sobre as águas primordiais da Criação, ungindo os profetas da Primeira Aliança, gerando na Virgem Maria a natureza humana do Salvador, descendo sobre Jesus no Rio Jordão, inflamando os discípulos em Pentecostes – eis a presença universal do Espírito de Deus na história dos homens…

Orai sem cessar: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis!”

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.