DIA 6 DE JANEIRO – TERÇA-FEIRA

O Espírito do Senhor repousa sobre mim e enviou-me a anunciar aos pobres o Evangelho (Lc 4,18).

Evangelho (Marcos 6,34-44)

Naquele tempo, 6 34 ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.
35 A hora já estava bem avançada quando se achegaram a ele os seus discípulos e disseram: “Este lugar é deserto, e já é tarde.
36 Despede-os, para irem aos sítios e aldeias vizinhas a comprar algum alimento”.
37 Mas ele respondeu-lhes: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Replicaram-lhe: “Iremos comprar duzentos denários de pão para dar-lhes de comer?”
38 Ele perguntou-lhes: “Quantos pães tendes? Ide ver”. Depois de se terem informado, disseram: “Cinco, e dois peixes”.
39 Ordenou-lhes que mandassem todos sentar-se, em grupos, na relva verde.
40 E assentaram-se em grupos de cem e de cinqüenta.
41 Então tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e os deu a seus discípulos, para que lhos distribuíssem, e repartiu entre todos os dois peixes.
42 Todos comeram e ficaram fartos.
43 Recolheram do que sobrou doze cestos cheios de pedaços, e os restos dos peixes.
44 Foram cinco mil os homens que haviam comido daqueles pães.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Como ovelhas sem pastor… (Mc 6,34-44)

Sempre a caminho, Jesus ensina e cura os enfermos… Coração apertado diante de tanto sofrimento e dor, contempla a multidão e a vê como ovelhas sem pastor. Quem deveria cuidá-las, orientando-as para Deus, optou por outras prioridades… Pais não educam os filhos. Mães põem a “realização pessoal” acima das necessidades das crianças. Professores burocráticos não se interessam por seus alunos. Párocos enriquecem às custas do rebanho. Maus pastores…

A sociedade não teria chegado ao impasse atual se os pastores tivessem apascentado o rebanho. No alto da pirâmide, governantes que fizeram opções erradas em prejuízo dos cidadãos. Na base, espectadores indiferentes à miséria dos mais pobres, à falta de oportunidades para as crianças e adolescentes, à demolição da vida familiar. Todos temos culpa no cartório. Falhamos em algum ponto da caminhada. Escolhemos outros alvos: carreira, sucesso, conforto, segurança financeira. Isto nos fechou em nosso próprio mundo. Se algo ia mal à nossa volta, rotulávamos de “problema social”. Isto é: não temos nada com isso!

Muitos tentam evitar o desastre. Dom Bosco gasta a vida a cuidar das crianças que a Itália abandonara. Madre Teresa abraça os pobres da Índia com amor de mãe. S. Joana de Lestonnac dá formação católica às meninas da França em plena Reforma protestante. Abbé Pierre incentiva os “trapeiros de Emaús” a viverem com as sobras que os ricos jogavam no lixo. Mas é muito pouco! A selva capitalista multiplica a violência e espalha fome e miséria. O rebanho abandonado, cada vez maior, faz ecoar pelo planeta o repto que convida a abrir os braços ao próximo e, simplesmente, amar.

“De fato, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo.” (Bento XVI, Porta Fidei, 14)

Nem todos são surdos. A Comunidade Jesus Menino acolhe deficientes físicos e mentais e vive com eles em família. A Aliança de Misericórdia sai às praças de S. Paulo para levar amor aos moradores de rua, mendigos, drogados ou prostitutas. A Nova Aliança leva a Palavra de Deus aos fiéis esquecidos pelas paróquias. Leigos visitam cadeias e hospitais. Os grupos do AA acolhem como irmãos os dependentes do álcool. Os Vicentinos levam pão a famílias sem recursos. Mas ainda é pouco. Muito pouco. E cresce a multidão dos desvalidos, verdadeiros intocáveis que a sociedade ejeta do sistema. E nós, os bons, estamos ocupados demais com negócios, lazer, novelas na TV. E Jesus Cristo contempla a multidão e vê… que ainda são ovelhas sem pastor…

Quando cuidaremos das ovelhas do Senhor?

Orai sem cessar: “O Senhor não rejeitará o seu povo!” (Sl 94,14)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.