Chevalier_imagemConforme afirmava o Pe. Cusquelly, que foi nosso Superior Geral  e que nos ajudou a compreender melhor  o nosso Fundador, Pe. Chevalier,  “carisma é um dom do Espírito dado a uma pessoa individual para ao bem dos  outros”. O objetivo do carisma é levar aquele que experimenta este dom a fixar-se em algum aspecto particular da vida de Jesus; que o leva a seguir Jesus e a servir, por amor a Jesus, aos demais de um modo particular. Entendemos que carisma é um dom do Espírito.

No livro El Carisma de Julio Chevalier y la Identidad de la Familia Chevalier, escrito por Hans Kwakman, MSC, lemos que para entender o carisma deixado a uma pessoa, no caso, o Pe. Julio Chevalier, é preciso compreender a principal paixão que dominava a vida do nosso Fundador. Esta paixão espiritual dá origem a uma visão e a uma missão.

Carisma não é algo superficial – ele é um chamado mais profundo, do coração –, é um fogo que acende outro fogo. É  a paixão que mantém toda a vida daquele que recebe tal carisma.

Três coisas são fundamentais para entender o carisma de uma pessoa, nos ensina Hans Kwakman:

1)   a paixão de seu coração,
2)    a visão de sua mente
3)   e  a missão de sua vida.

Juntos formam o carisma, a força integradora que unifica todos os ganhos de sua vida e de sua obra desde o começo até o fim de sua vida.

Olhando o Fundador, podemos questionar: Qual foi a grande paixão de sua vida? Qual foi a sua visão “especial” de Jesus Cristo? Como entender a missão que nasce desta visão. Como quer que se siga Jesus, como quer que sirva as pessoas, como quer que se difunda a mensagem de Jesus? As respostas juntas nos dão o resultado de seu carisma.

Confesso que fico triste quando ouço pessoas dizerem que o nosso carisma é superficial, genérico, ou coisa parecida. Creio que ainda não puderam aprofundar o verdadeiro sentido de nosso carisma.

Tenho certeza de que nenhum carisma consegue abarcar toda a vida e missão de Jesus. Todos os carismas são fragmentos, partes e visão particular de uma pessoa olhando e fazendo a experiência de Jesus.

Creio, porém, que existem fragmentos e fragmentos, partes periféricas e partes centrais. Assim vejo o nosso carisma, que costumamos chamar de “carisma do coração”. Porque não é do braço, perna, da cabeça de Jesus, mas do Seu coração. Neste Coração transpassado na cruz ou ferido na compaixão da missão está revelada a totalidade do amor de Deus. Quem faz a experiência deste Coração de Jesus, faz a experiência daquilo que é mais profundo e mais bonito em Deus.

Assim o fez o Pe. Chevalier. Através do Coração aberto de Jesus (Jo 19,34), ele se sentiu tão amado e completamente perdoado, querido e totalmente de Deus. Conhecedor de um Deus que nos amou por primeiro (Jo 4,19), que foi capaz de dar a vida para nos salvar. Neste Coração está o remédio para todos os males do mundo. Esta experiência é o aspecto fundamental da revelação de Deus a Julio Chevalier, que chamamos de graça, dom ou carisma. Este Coração é o sinal maior de amor, que no Coração de Jesus dá visibilidade e torna palpável, visível, o Amor de Deus.

Portanto, o nosso carisma não está na linha do fazer, mas do ser o Amor de Deus no mundo, em toda parte, sobretudo na parte dos mais pobres entre os pobres, dos menos amados entre os amados, dos mais excluídos entre os encarcerados, dos mais abandonados entre os enfermos, dos mais sem proteção entre os moradores de rua, dos mais afastados e indiferentes entre os nossos paroquianos, dos jovens que vivem em conflitos familiares e com dificuldades nos estudos entre nossos alunos, em nossos colégios, dos indígenas mais desamparados em nossa missão amazônica e no Equador, etc.

O nosso fragmento é o fragmento do centro da vida e do amor: o coração. Este é o grande carisma que recebemos do Fundador. Todos os membros da Família Chevalier devem beber deste carisma para fazer amado em toda parte o Sagrado Coração de Jesus.

Por outro lado, o carisma congregacional deve se integrar com o carisma pessoal de cada membro da Família Chevalier. E aí está a beleza de nosso carisma, porque não está preso ao fazer, mas ao ser. Não está preso ao fazer a caridade para esta ou para aquela necessidade. Em todas as necessidades somos chamados a ser a revelação do Amor de Deus para as pessoas. Cada membro da Família Chevalier, que bebeu deste carisma, pode, como uma espiritualidade carismática, conforme a sua aptidão e dom, ser portador do nosso carisma para onde se sentir chamado por Deus.

Explicando melhor: Quem tem o carisma pessoal de ser presença de Deus no meio dos indígenas, levará o carisma do Pe. Chevalier integrado ao seu carisma pessoal, pelo seu jeito de ser e experimentar o amor infinito de Deus revelado no Coração misericordioso de Jesus. Quem tem o carisma de ser presença de Deus, no meio dos encarcerados, certamente será portador do carisma do Pe. Chevalier no meio dos encarcerados, dos moradores de rua, dos enfermos e de todos aqueles que se sentem excluídos do amor de Deus e dos homens. ASSIM, NOSSO CARISMA DEIXA DE SER GENÉRICO PARA SE TORNAR CONCRETO NA VIDA E LIBERTAÇÃO DA HUMANIDADE.

Para levar o carisma, é preciso tê-lo presente dentro de si e alimentá-lo todo dia pela oração e contato com a Palavra de Deus. Não deixemos que nosso carisma seja genérico, mas o tornemos concreto em nossa ação e na vida das pessoas.

São Paulo, 15 de novembro de 2013.

Pe. Manoel Ferreira dos Santos Junior, mSC
(Superior Provincial)