2/08/2015 –

Nunca mais terá sede… (Jo 6,24-35)

Esta é uma promessa pessoal de Jesus: saciar em definitivo a humana fome, matar a sede que faz cada célula da humanidade clamar por uma água viva que não dependa das oscilações do clima e da história.

E essa água está à disposição de cada homem que vem a este mundo. A condição? Crer! “Quem crê em mim nunca mais terá sede…”

Se, por um lado, o processo de desertificação agride vastas áreas do planeta, não é menor o “deserto” interior que caustica os corações humanos. São multidões mergulhadas nesse deserto ínvio e mortal. A inundação das drogas e da prostituição apenas reflete a intensidade dessa procura por sentido e consolação.

Na missa de início de seu pontificado, em sua homilia, o Papa Bento XVI dizia: “A Igreja no seu conjunto, e os Pastores nela, como Cristo devem pôr-se a caminho para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude”. O oásis existe, mas alguém precisa mostrar o seu caminho quem tem sede.

Pouco depois, na Carta apostólica “Porta Fidei” [Porta da Fé], o mesmo Papa observava: “Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora, tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado. Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas”. (PF, 2.)

No polo oposto, vejo em minhas viagens missionárias, por diferentes lugares do Brasil, os numerosos jovens que decidem orientar sua vida, sua profissão e sua vocação a partir da fé em Jesus Cristo. Esta juventude cheia de esperança e vitalidade se reúne em comunidades vivas e vibrantes para aprofundar sua própria experiência de Deus e, ao mesmo tempo, comunicá-la a todos que atravessam seu caminho.

Nesses jovens de fé, a alegria interior é irradiada nas palavras e nos gestos, nos olhares e nos cânticos, deixando vir à superfície de seu ser um borbulhar de vida que muitos perderam à medida que se fechavam à ação de Deus em suas vidas. O simples contato com eles já se torna uma aurora de esperança. Eles conhecem a única Fonte que pode saciar o coração humano: Jesus Cristo.

Neles se cumpre a promessa de Jesus: nunca mais terão sede…

Orai sem cessar: “Todas as minhas fontes se acham em Ti!” (Sl 87,7)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.