25/02/2019 – Nunca mais… (Mc 9,14-29)

Neste Evangelho, o episódio comovente de um pai que sofre há muitos anos com a doença do filho: “o espírito já o lançou no fogo e na água” (um maníaco depressivo oscilando entre dois polos?). E não é coisa nova; segundo o pai, isto ocorre “desde criança”.

Pior ainda: o pai esperava que os discípulos libertassem seu filho da escravidão humilhante, mas eles fracassaram. Seria o caso de desistir?

Cabe outra pergunta: será que nós acabamos por nos acostumar com nossos males? Terminamos acomodados com nossas falhas? Decretamos nossa inação: “é assim que eu sou?” Afinal, já fizemos várias tentativas, mas a escravidão permanece…

Pois no caso do maníaco deste Evangelho, a coisa pode mudar. Basta que Jesus atravesse o seu caminho e o mal que parecia crônico, definitivo, encontra sua remissão diante da ordem do Senhor: “Sai do menino e nunca mais entres nele!”

Nunca mais! Sim, aquilo que fazia parte de um SEMPRE irremediável é arrancado pela raiz e dissipado no espaço livre de um NUNCA MAIS. Não se trata de um paliativo, mas da cura radical.

Conheço, pessoalmente, muitos casos semelhantes: pessoas que se arrastavam há muitos anos, escravas de um vício, de uma doença física, de uma visão negativa da existência, mas se viram livres de seu mal. Sua cura pode ter ocorrido quando rezaram por elas num grupo de oração. Ou em um encontro de aconselhamento. Ou durante uma pregação. Ou após a comunhão eucarística. Até mesmo em um sonho revelador, onde caíram por terra barreiras que pareciam eternas…

Lembro-me de um encontro de fim de semana, realizado em um grupo escolar, em uma cidade do Oeste de Minas: quando o Santíssimo Sacramento passou entre as fileiras de cadeiras, uma senhora começou a gritar, ou melhor, a urrar, esperneando, a ponto de romper suas sandálias. E dizia: – “Esse não! Esse não!” O marido, um homem alto e forte, mal conseguia segurá-la.

A infeliz – que se envolvera com macumba e feitiçaria – foi levada para o fundo do pátio, onde um pequeno grupo rezou por ela. Meses depois, encontrei-a transformada, pacificada, e só com dificuldade foi possível reconhecê-la, a tal ponto seu semblante estava iluminado. Nunca mais!

 

Orai sem cessar: “Deus se levanta! Seus inimigos se dispersam!” (Sl 68,1)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Com. Católica Nova Aliança.