Muitas são as imagens que podemos ter de Jesus. Os Evangelhos nos dão várias possibilidades de aproximação com essas faces diferenciadas do Salvador. A Igreja também ao longo de sua enorme experiência mística vai revelando para o mundo essas imagens que não só nos mostram quem é Jesus, mas abrem largos caminhos para que nos aproximemos Dele.

A Espiritualidade do Sagrado Coração nos indica mais uma dessas portas com acesso a abundantes e ricas experiências místicas. Desde o início, com Santa Margarida Maria, já se esboçava uma vivência muito próxima daquilo que pode ser a essência da experiência de Deus, ou seja o amor. Certamente essa é uma das razões pela qual essa espiritualidade se fez tão popular. Todos se sentem aconchegados diante de um Deus cujo Coração de abre em amor por nós.

Mas não é só isso. Olhando para a espiritualidade do Sagrado Coração descobrimos muitas outras perspectivas que são próprias do amor Divino expresso no coração do seu filho. Olhando o Culto Perpétuo ao Sagrado Coração, devocionário tradicional da Espiritualidade MSC, vemos o Sagrado Coração sendo chamado de “Nossa Paz e reconciliação”. Uma das invocações mais bonitas que podemos encontrar.

Paz e reconciliação são necessidades constantes do ser humano. As duas juntas nos dão condições para levar adiante a construção de um mundo melhor. E nada mais justo que entender o Coração de Jesus como lugar de encontro com uma paz duradoura e com a reconciliação pessoal e comunitária. Sentir-se reconciliado consigo mesmo e com os outros é o primeiro passo para aprender a amar e assim construir uma paz que vem de Deus e não de interesses mesquinhos. Nesses tempos onde a dimensão da reconciliação tem sido esquecida e com isso gerado tanta violência e dor, olhar para um Deus que se apresenta como fonte de reconciliação, é um conforto e uma esperança que nos alimenta na caminhada.

Celebrar o Coração de Cristo portanto não é somente uma prática devocional que muitos podem achar ultrapassada, mas é reconhecer que o amor nunca fica ultrapassado diante das maravilhas que ele pode realizar, principalmente se este amor em questão é o próprio Deus, entregando-se a nós cotidianamente. O Coração aberto de Jesus não só nos inspira, mas impulsiona a ser construtores da Paz onde quer que estejamos. E para que essa paz seja verdadeira tenhamos com alicerce a reconciliação. Um mundo pacífico e reconciliado é fonte inesgotável do encontro do Divino e do humano explicitado de forma perfeita em Jesus Cristo.

Pe. Alex Sandro Sudré