Na festa de São José Operário, a liturgia dirige nosso olhar para a casa de Nazaré. Era a casa de José, o naggar, palavra hebraica que designa não um simples carpinteiro, mas um “artesão” capaz de trabalhos mais refinados. No texto grego, São Lucas usa a palavra “tékton”, termo genérico que engloba as atividades de um marceneiro, um ferreiro etc. Mas, acima de tudo, estamos na presença de um operário movido pelo amor.

Na Encíclica “Redemptoris Custos” [O guarda do Redentor], de 1989, o Papa João Paulo II escrevia: “A expressão cotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho, mediante o qual José procurava garantir a sustentação da família: o trabalho de carpinteiro”. (RC, 22)

O texto logo associa o trabalho ao mistério da encarnação do Verbo de Deus: “O trabalho humano, em particular o trabalho manual, tem no Evangelho um acento especial. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus, ele foi acolhido no mistério da Encarnação, como também foi redimido de maneira particular”. Ocorre uma “redenção” do trabalho. Tantas vezes recusado pela “gente fina” e transformado em símbolo de escravidão, depois de Nazaré ele vai mostrar-se como instrumento de santificação e realização do homem.

Em outra Encíclica, o mesmo João Paulo II comentava: “O suor e a fadiga, que o trabalho comporta necessariamente na presente condição da humanidade, proporcionam aos cristãos e a todo homem, dado que são chamados para seguir a Cristo, a possibilidade de participar no amor à obra que o mesmo Cristo veio realizar”. (Laborem Exercens, 27) Isto quer dizer que o objetivo maior do trabalho humano não é a retribuição material pelo salário, nem o reconhecimento social pelo sucesso, mas a oportunidade de amar concretamente, ao dispor os dons pessoais em benefício do próximo.

“Suportando o que há de penoso no trabalho em união com Cristo crucificado por nós – prossegue o Papa – o homem colabora, de algum modo, com o Filho de Deus na redenção da humanidade. Mostrar-se-á como verdadeiro discípulo de Jesus, levando também ele a cruz de cada dia nas atividades que é chamado a realizar.” (LE, 22)

Orai sem cessar: “Viverás do trabalho de tuas mãos…” (Sl 128,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.