1º/05/2017 – Não é ele o filho do carpinteiro? (Mt 13,54-58)

Na festa de José, o operário de Nazaré, o Evangelho oferece à plena luz a indisposição humana diante daquilo que é pobre, humilde e pequeno. O desígnio de Deus para a encarnação de seu Filho excluiu palácios, templos e exércitos. Ao contrário, os evangelistas falam de pastores, curral de ovelhas, aldeias da periferia, trabalhadores braçais.

Como diz Hébert Roux, ao comentar este Evangelho, “poucas passagens trazem tão vivamente à luz a humanidade de Jesus”. Nos termos paulinos, “a sabedoria da carne é inimizade contra Deus” (Rm 8,7). Ou seja, um olhar humano, preso à matéria, não é capaz de acolher o desígnio de Deus. “Todo o conhecimento carnal que os compatriotas de Jesus têm sobre ele é incapaz de produzir o menor movimento de fé.”

É neste contexto de contradição que se oferece a figura de São José: um homem do povo, que trabalha com as próprias mãos e deve alimentar o Filho de Deus com o suor de seu rosto. Sua origem real, sua pertença à linhagem de Davi, ficam ocultas aos olhos do mundo.

Outro aspecto que explica a incompreensão dos contemporâneos de Jesus de Nazaré – sem excluir os próprios parentes – é o seu lado “comum”. Esperavam por um Messias poderoso, libertador, até mesmo guerreiro, e ali está um homem absolutamente comum, assemelhando-se a seu meio social na linguagem, nas roupas, no trabalho. Apenas o filho do carpinteiro…

Quando Jesus chega a mostrar algo diferente, incomum – o ensino com autoridade, a atração sobre as massas, o poder de curar etc. -, logo o rejeitam, chegando ao extremo de julgá-lo demente.

Também hoje corremos o risco de permanecer cegos diante da atuação do Espírito no meio de nós. Num piscar de olhos, corremos atrás de coisas excepcionais, visões e aparições, milagres a granel. E o Espírito está soprando nas coisas simples, no trabalho dos pobres, nas missões sem brilho e sem lantejoulas.

Celebrar a memória de um “santo” operário deve contribuir para a correção desses desvios. E trazer à nossa memória que Deus age em cooperação com os simples, adicionando graça ao suor, ao mesmo tempo que ele rejeita os famosos e os ídolos da mídia.

Ah! Se Jesus viesse hoje, por certo encontraria a mesma incompreensão…

Orai sem cessar: “Viverás do trabalho de tuas mãos…” (Sl 128,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.