Mostra-nos o Pai! (Jo 14,6-14)

Este foi o pedido de Filipe a Jesus: “Mostra-nos o Pai!” E a resposta imediata do Mestre: “Filipe, quem me viu, tem visto o Pai”.

Estamos diante de um tema central do Cristianismo: a revelação divina – sua manifestação aos homens – progrediu desde os patriarcas (Moisés na sarça ardente) e os profetas (Isaías e a visão no interior do Templo) e chegou ao seu clímax na pessoa de Jesus Cristo.

O autor da Carta aos Hebreus sabia disso tão bem, que decidiu iniciar seu texto com estas palavras: “Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho… Ele é o resplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser”. (Hb 1,1-3)

Eis uma bela definição da pessoa de Jesus: ele é a “expressão do ser de Deus Pai”. Leia-se: podemos intuir o Pai, transcendente e puro espírito, na pessoa humana do Verbo, o Filho que se fez carne. É por Jesus, – caminho único – que nós chegamos ao Pai.

São os gestos e as palavras de Jesus que nos re-velam (isto é, retiram o “véu” que cegava nossos olhos) a natureza de Deus Pai. Sem o Jesus manso, que recusa as duas espadas para se defender, ainda pensaríamos em Deus Pai como um general vencedor, simples Deus dos exércitos. Sem o Jesus que se comove diante da mãe que enterra seu filho, ainda aceitaríamos a imagem de um Deus indiferente à dor humana, mera dinâmica do Universo. Sem o Jesus que se recusa a condenar a jovem adúltera (cf. João 8), ainda teríamos a visão distorcida de um Deus Juiz, que se limitasse a aplicar a Lei.

Além disso, as parábolas de Jesus foram usadas por ele para abrir nossos olhos sobre a natureza de Deus. Aqui e ali, as parábolas nos fornecem lampejos sobre a pessoa do Pai. Ela aparece no Rei que perdoa a dívida impagável de seu gerente. Mostra-se no Pai que corre em direção ao filho pródigo, cobre-o de beijos e festeja a sua volta. Reaparece no Senhor que faz um banquete para celebrar as bodas de seu filho e, com a recusa dos convidados, manda recolher os pobres, mendigos e aleijados para encher o salão de festa.

E como se isto não bastasse, Jesus foi o primeiro a nos animar a um tipo de oração que se dirige a um Deus Abbá, ou seja, um paizinho muito querido.

Assim, não é preciso fazer a pergunta de Filipe. Basta olhar para Jesus…

Orai sem cessar: “Pai nosso!”

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.