Meu Filho! (Mc 1,7-11)

Depois de séculos de nuvens e imagens nebulosas, agora os céus se rasgam (esta é a tradução da Bíblia de Navarra!) e Deus se manifesta claramente aos homens. Desta vez, temos uma teofania trinitária, quando se experimenta a presença ativa de toda a Trindade divina.

Nas águas límpidas do Jordão, revestido da carne dos mortais, mostra-se Jesus, o Filho que assumira nossa humanidade ao nascer de Mulher. Descendo em voo vertiginoso sobre ele, diante dos olhos de João Batista, eis o Espírito Santo na forma visível de uma pomba. E da nuvem celeste – a mesma que acompanhara Israel em seu êxodo – a voz do Pai vem identificar o seu Enviado: “Tu és o meu Filho amado…”

A mesma pomba que “pairava” sobre as águas primordiais, na Criação (Gn 1,2), e trouxera o ramo verde, após o Dilúvio, em sinal de reconciliação entre céu e terra (Gn 8,11), ei-la a descer no Jordão, sobre Jesus, cuja missão incluía a reconciliação entre Deus e a humanidade.

A partir de então, já não há nenhuma dúvida acerca da pessoa de Jesus Cristo: é que o próprio Pai o reconhece e atesta a sua filiação divina. Já não há como reduzir historicamente Jesus Cristo a um homem bom, um profeta, um ativista social, um “iluminado”; de fato, ele é a própria Luz do mundo (cf. Jo l,9; 8,12).

Quando o próprio Filho de Deus se faz um de nós, assumindo nossa carne mortal, também nós somos adotados pelo Pai e, pelo batismo, nos tornamos filhos de Deus. Doravante, pertencemos de fato à família de Deus. Assim, nós somos chamados a viver, de forma progressiva, uma imersão em Cristo, com ele configurados e, a seu exemplo, buscando em tudo a vontade do Pai.

Estamos diante de uma exclusividade cristã: a filiação divina. Em Jesus se enraíza nossa filiação ao Pai. Por isso mesmo, podemos rezar com Charles de Foucauld:

“Meu Pai, eu me abandono a Ti. Faze de mim o que bem quiseres. Entrego-me a Ti, meu Deus, com todo o ardor do meu coração, porque Te amo, e é uma necessidade de amor dar-me, entregar-me nas Tuas mãos, sem medida e com infinita confiança, porque és MEU PAI!”

Orai sem cessar: “Venham sobre mim as tuas bondades, Senhor!” (Sl 119,41)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.