Mas ela não desabou… (Mt 7,21-29)

Duas casas. Dois terrenos. Uma casa edificada na areia. Outra, cravada sobre a rocha. Dois destinos bem diversos: ruína e segurança. A areia é o símbolo da instabilidade, da insegurança. A rocha simboliza a firmeza, a solidez, a tal ponto que a Escritura chama a Deus de “meu Rochedo”.

O Mestre usou as duas figuras em uma parábola acerca das duas atitudes possíveis perante a Palavra de Deus. Recusá-la, trocá-la por outra “palavra”, por outros valores e princípios, equivale a construir sobre a areia. Um terreno lábil, movediço, permeável, sujeito a todo tipo de influência, pressão e agressão. Cai a chuva, vem a enchente, rugem os ventos e… lá está a casa no chão.

Foi assim com muitas vidas, muitas empresas, muitos casamentos. Buscaram apoio no dinheiro, no poder político, nas garantias financeiras. Vem uma tempestade (um plano econômico, uma alta do petróleo, uma doença inesperada…) e tudo cai por terra. A casa não tinha fundamentos sólidos. Ruiu.

Nos noticiários, a derrocada de impérios econômicos construídos sobre a corrupção, propinas, negociatas fora da lei. Os agentes de tudo isso apostaram sua vida e seu futuro no poder e na posse material. Seu fim foi funesto.

As tempestades sobrevêm a todos, sem preferências. A diferença está nos seus efeitos. Quem se apoia na Palavra de Deus, nos valores do Evangelho, no exemplo dos santos, verá sua “casa” de pé, quando a inundação passar. É nessa Rocha – Jesus Cristo, Palavra do Pai – que o sábio constrói a sua casa. Uma casa de virtudes cristãs: confiança em Deus, partilha com os irmãos, fé nas promessas do Senhor, humildade e paciência. Esta casa não desabará.

A mesma avaliação vale para os Estados. A Alemanha nazista pregava o ódio, a soberba do Super-homem ariano, a derrubada da Cruz. Depois de ilusória expansão,ela caiu por terra, deixando atrás de si a morte e a destruição. Teve o mesmo fim a União Soviética, que sufocava desde o ventre materno a fé das crianças, fazendo do ateísmo e do materialismo histórico seu novo “evangelho”, enquanto dividia as pessoas com muros e arames farpado.

Curiosamente, há quem recuse a Palavra de Deus em nome do direito de escolher o próprio caminho, viver na liberdade. Ora, a primeira coisa que fazem os governos totalitários e inimigos de Cristo é exatamente roubar dos cidadãos a liberdade de expressão e de fé. Em nome da liberdade, tornam-se escravos…

Em que terreno estou edificando a casa da minha vida? Rocha ou areia?

Orai sem cessar: “Só Deus é meu rochedo e minha salvação!” (Sl 62, 7)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.