A piedade popular sempre nutriu por Maria uma imensa veneração. A sua imagem foi sempre concebida no imaginário popular, como a mulher que mais se aproximou de Deus. Não é a toa que vamos encontrar nos “escritos apócrifos”, que ela teria permanecido no templo dos três aos doze anos, aos cuidados das virgens que teciam o grande véu do templo. Na historia da salvação, o templo foi sempre o lugar onde habitava Deus, portanto, podemos dizer que Maria habitava intimamente com o Senhor. Na perspectiva desses escritos, este tempo de permanência de Maria no interior templo, foi exatamente o de consagração a Deus.

Quais são as implicações dessa consagração de Maria, e daqueles que se dispõe a se consagrarem a Deus? Destacamos duas características: a disponibilidade e a gratuidade.

Na vida de Maria a disponibilidade se torna célebre no encontro com a sua prima Isabel, quando a socorre em condições de extrema necessidade. Mas também nos momentos difíceis da vida de seu filho Jesus. Não lhe faltou esperança para ser solidária. Ela sempre se fez presente como serva fiel.

Outra característica marcante desta serva de Deus foi a gratuidade. Em Maria, se percebe todo desprendimento para servir. A gratuidade foi um sinal de sua adesão ao projeto de Deus. Por isto, quando alguém se consagra – entende-se aqui todo batizado – deve-se ter a consciência de que a vida em Deus, se caracteriza pelo testemunho do serviço sem nenhuma exigência. Esta pessoa não faz outra coisa, senão ser serva de Deus, estar sempre à disposição do Senhor. O que se consagra não deve trabalhar para Deus em função de alguma retribuição. Além do mais, nesta perspectiva da consagração, podemos afirmar com toda certeza, que a iniciativa não é da vontade humana, mas sim de Deus. Não é um desejo humano, mas um gesto divino que não se impõe, mas é aceito ou não.

O evangelho de São Lucas apresenta um belíssimo modelo de consagração. O Arcanjo representa a iniciativa de Deus, que convida a virgem Maria para um projeto novo e de salvação, mas para isto, Maria precisava se consagrar a Deus, dizer sim! Esta atitude serve de exemplo para todos nós. Mesmo na incerteza de onde chegaria este projeto, ela confiou na graça de Deus. O seu sim, foi a sua consagração.

Veja como Deus é bom, Ele nada impõe, espera que a pessoa use de sua liberdade para responder ao seu chamado. Assim fez Maria, a consagrada por excelência, livre de qualquer condicionamento disse SIM, e aceitou a proposta divina.

Pe Edvaldo, MSC