DIA 9 DE JANEIRO – SEXTA-FEIRA

Jesus pregava a boa nova, o reino anunciando, e curava toda espécie de doenças entre o povo

Evangelho (Lucas 5,12-16)

5 12 Estando Jesus numa cidade, apareceu um homem cheio de lepra. Vendo Jesus, lançou-se com o rosto por terra e lhe suplicou: “Senhor, se queres, podes limpar-me”.
13 Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: “Eu quero; sê purificado!” No mesmo instante desapareceu dele a lepra.
14 Ordenou-lhe Jesus que o não contasse a ninguém, dizendo-lhe, porém: “Vai e mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés prescreveu, para lhes servir de testemunho”.
15 Entretanto, espalhava-se mais e mais a sua fama e concorriam grandes multidões para o ouvir e ser curadas das suas enfermidades.
16 Mas ele costumava retirar-se a lugares solitários para orar.

Palavra da Salvação

Meditando a Palavra

Pela tua palavra… (Lc 5,12-16)

Antigamente, ouvia-se aqui e ali a expressão “homem de palavra”. Era um elogio. Dizer de alguém que era um homem “de palavra” significava que ele era confiável, merecia crédito, não quebraria uma promessa ou juramento. Velhos tempos, quando não era necessário produzir um documento, assinar uma nota promissória ou conseguir avalistas na hora de realizar um negócio ou transação comercial. Valia a palavra!

Neste Evangelho, temos uma situação semelhante. Após uma noite inteira de pesca infrutífera, aqueles experimentados pescadores aceitam lançar novamente as redes apenas “por causa de tua palavra”, isto é, da ordem de Jesus. Se levarmos em conta que Jesus fora aprendiz de carpinteiro e, por isso mesmo, não dominava os segredos da pescaria, devemos admirar a prontidão de Pedro e seus companheiros em obedecer a essa ordem.

Claro, a nova tentativa dos pescadores foi além de toda expectativa: duas barcas atulhadas de peixes, ameaçando adernar. Será que Jesus também era um “homem de palavra”? Não. Era muito mais: ele era a PALAVRA, o Verbo de Deus, o Logos divino que veio ao mundo para nos falar do Pai.

No hebraico da Sagrada Escritura, surge com frequência o termo “dabar”, que se traduz simultaneamente como “palavra” e como “acontecimento”. Ou seja, quando se trata da Palavra de Deus, ela é ao mesmo tempo algo que se fala e algo que acontece. Em Deus, falar é acontecer.

Não admira, pois, que o profeta Isaías nos tenha passado este discurso de Deus: “Como a chuva e a neve que caem do céu e para lá não voltam sem antes molhar a terra e fazê-la germinar, assim também acontece com a minha palavra: ela sai da minha boca e para mim não volta sem produzir seu resultado, sem fazer aquilo que planejei, sem cumprir com sucesso a minha missão”. (Is 55,10-11)

A experiência dos pescadores da Galileia deveria animar-nos a confiar na palavra de Deus, a apostar em suas promessas, a correr riscos sem nenhuma outra garantia a não ser o próprio Jesus, palavra encarnada do Pai.

Nós somos privilegiados pela forma como a palavra de Deus nos tem sido dirigida: clara, insistente, amplificada pelos novos meios de comunicação, refletida e esclarecida pelo magistério da Igreja. Trata-se de um anúncio que nos privilegia, mas também nos responsabiliza.

Não poderemos alegar, como tantos dizem: “Eu não sabia”…

Não me esqueço dos presidiários que começavam a participar dos encontros de evangelização e, em pouco tempo, comentavam: “Se eu tivesse ouvido isto antes, não estaria aqui”. Nós ouvimos…

Orai sem cessar: “A tua palavra me faz viver!” (Sl 119,50)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.