5/02/2019 – Jesus foi com ele… (Mc 5,21-43)

O episódio deste Evangelho apresenta uma constante na vida de Jesus: entre a multidão e uma pessoa, esta sempre acaba favorecida. Em outras palavras, Jesus de Nazaré não usa o compromisso com a multidão como desculpa para negar atenção a um indivíduo em particular. Jesus não é o pastor de um carneiral, mas de ovelhas singulares, uma a uma…

Em nossos tempos, um penitente procura pelo pároco e pode ouvir como resposta: “agora não posso, tenho uma reunião”. Não quero afirmar que seja apenas um pretexto para não atender a pessoa, mas procuro mostrar que Jesus não faria assim.

Por outro lado, historicamente a mesma negativa talvez não aconteça se o pedido vem de alguém “importante”, um grande benfeitor, uma pessoa “recomendada”… Já o simples fiel – conhecido como “zé-ninguém” – terá mais dificuldade em ser atendido.

Nos Evangelhos, Jesus não vê cara, vê coração. Não importa se o “pedinte” é um centurião romano, invasor e dominador (cf. Lc 7,2), ou o chefe da sinagoga (Mc 5,22), se é um cego miserável (Mc 10,46ss) ou o paralítico na maca (Lc 5,18): em todos estes casos, a multidão é deixada de lado para que a pessoa individual seja atendida em sua necessidade.

Neste Evangelho, a filha de Jairo está gravemente enferma. Procurado pelo pai, Jesus não lhe diz: “Leve a menina lá em casa…” Talvez para espanto do próprio pai, o Mestre se prontifica: “Vou com você…”

Esta imagem é importante demais para ser deixada na sombra. O gesto de Jesus deve ser para nós a garantia de que jamais seremos ignorados em nossos sofrimentos. Afinal, ele não é o “Emanuel”, o “Deus-conosco”? Não se admire, pois, se ele “vai-com-você”…

Vivemos um momento histórico marcado pela solidão: maré negra que envolve as praças, as arenas esportivas e as enfermarias dos hospitais: o ajuntamento de pessoas não consegue afastar a sombra do isolamento e da solidão. É neste momento especial da Graça de Deus que a Igreja deve apresentar a figura de um Salvador sempre disponível, sempre ao nosso alcance, para quem não existe nenhum outro compromisso mais importante do que parar tudo e estar conosco.

 

Orai sem cessar: “O Senhor se faz íntimo de quem o teme!” (Sl 25,14)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.