28/05/2015

Jesus, Filho de Davi! (Mc 10,46-52)

Muitas pessoas que se aproximaram de Jesus à espera de um favor, seja a cura física ou uma luz espiritual, chamaram-no de Senhor, bom Mestre, Rabi ou, simplesmente, Jesus. Neste Evangelho, o cego de Jericó invoca sua graça com o vocativo “Filho de Davi”. Todo israelita sabia muito bem que Deus prometera a seu povo um Messias nascido da casa de Davi (cf. 2Sm 7,12). Por isso mesmo, o título escolhido pelo cego tem significado especial.

Jean Valette [1920-1999]: comenta: “Tal como ela é, esta passagem aparece como um prelúdio à entrada de Jesus na Cidade Santa. Sem dúvida, a multidão em questão estava formada por aqueles peregrinos que se reuniram a Jesus e aos seus. ‘Jesus, Filho de Davi’ é a primeira nota da aclamação messiânica, na véspera da entrada em Jerusalém.

As turbas não dirão outra coisa quando Jesus passar montado em seu jumentinho. É difícil negar o vínculo com o dia dos Ramos. Pode-se mesmo perguntar se o milagre que Jesus vai fazer, recontado pelos peregrinos de Jerusalém, não desempenhou um papel nas aclamações da multidão, na medida em que a cura dos cegos era por excelência o sinal messiânico.

Dito isto, antes de ser um grito messiânico, o apelo repetido do cego é um grito de sofrimento e de esperança interessada. Evidentemente, nada tem de um louvor gratuito.

O encontro com Jesus não tem outro sentido, exceto fazer brotar a esperança da cura e, às vezes, ao mesmo tempo, despertar a consciência para a realidade do mal oculto que a gente traz em si mesma. Só depois é que podemos seguir Jesus no caminho para, como ele, não mais pensar nós mesmos nem em nossos problemas, mas nos outros.

– ‘Que queres que eu te faça?’ A pergunta não é ociosa; é uma palavra dita, logo, um contato que se estabelece. Toda cura é restabelecimento de relação. Falar a um cego já é curá-lo. Mais ainda: a pergunta de Jesus, cheia de afeição, convida o doente a crer ou a expressar sua fé; ela chama ao encontro, à adesão, à participação confiante.

– ‘Tua fé e salvou’. Jesus se exprime como se a fé daquele homem tivesse feito tudo. Não é o caso, evidentemente, e não é este o pensamento de Marcos, mas é muito sugestivo: Marcos sublinha a importância da fé.”

Pior que a cegueira dos olhos é a cegueira de não ter fé…

Orai sem cessar: “Creio, Senhor, mas socorre minha falta de fé!” (Mc 9,24)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.