DIA 27 DE JANEIRO – TERÇA-FEIRA

III SEMANA DO TEMPO COMUM

Evangelho (Marcos 3,31-35)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
3 31 Chegaram a mãe e os irmãos de Jesus e, estando do lado de fora, mandaram chamá-lo.
32 Ora, a multidão estava sentada ao redor dele; e disseram-lhe: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram.”
33 Ele respondeu-lhes: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”
34 E, correndo o olhar sobre a multidão, que estava sentada ao redor dele, disse: “Eis aqui minha mãe e meus irmãos.
35 Aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Esse é meu irmão… (Mc 3,31-35)

Reconheçamos: a marca registrada do filho é a obediência. Muito mais que os laços de sangue, a verdadeira filiação se manifesta quando a vontade do Pai se coloca em primeiro lugar. E não se trata de algum exercício penoso, um jugo insuportável, uma condição que nos humilhe.

É uma simples questão de amor. Amado pelo pai, o filho responde ao amor com a mais amorosa das sujeições. Como poderia ser um fardo pesado a obediência prestada à pessoa que nos demonstra amor?

É assim com Jesus, o Filho do Pai. Sua entrega à Paixão e à morte no Calvário tem um objetivo: “para que o mundo saiba que amo o meu Pai e ajo conforme o Pai me prescreveu”. (Jo 14,31) Jesus não se cansa de afirmar sua “dependência” em relação ao Pai: “O Filho não pode fazer nada por si mesmo, mas somente o que vê o Pai fazer; pois o que o Pai faz, o Filho o faz igualmente.” (Jo 5,19) O grande elogio que a Escritura faz a Jesus é que ele foi “obediente até a morte, e morte de cruz”. (Fl 2,8)

Quando o Filho de Deus se encarna, nascendo de Mulher, ele de certa maneira “re-aprende” a ser filho em sua relação humana com Maria e com José. O Papa Leão XIII realçou esta obediência humana de Jesus: “Daí se seguia, portanto, que o Verbo de Deus fosse submisso a José, lhe obedecesse e lhe prestasse aquela honra e aquela reverência que os filhos devem aos próprios pais.” Obedecendo ao humilde José, seu pai nutrício, Jesus na verdade obedecia a seu Pai eterno.

Ora, se nós pretendemos ser irmãos de Jesus, como o conseguiríamos sem obedecer ao mesmo Pai celeste? Quando nos submetemos à Lei de Deus, a seus mandamentos, mas também quando obedecemos à voz de Deus que fala por meio da Igreja e de seus ensinamentos, Jesus pode olhar para nós e nos reconhecer como irmãos.

Eis o que diz Santo Agostinho: “Será o amor que leva a observar os preceitos ou a observação dos preceitos é que leva ao amor? Mas quem duvida que o amor venha primeiro? Aquele que não ama não consegue observar os preceitos. Assim, ao dizer: ‘se observais meus mandamentos, permanecereis no meu amor’ (Jo 15,10), Jesus mostra não de onde vem o amor, mas aquilo que o prova. É como se ele dissesse: não pensem que vocês permanecem no meu amor, se não observam meus mandamentos, pois se vocês os observam, esta seria a prova de que nele permaneceis”.

A lição é clara: quem ama, obedece. Quem se rebela, recusa automaticamente a sua filiação. Quem obedece, este é filho. Sendo filhos, seremos irmãos do Senhor. E ele poderá olhar para nós, sorrir e afirmar: “Esse é meu irmão!”

Orai sem cessar: “Eis-me aqui, ó Pai, para fazer a tua vontade!” (Hb 10,9)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.