DIA 2 DE MARÇO – SEGUNDA-FEIRA

II SEMANA DA QUARESMA

Evangelho (Lucas 6,36-38)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos 6 36 “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.
37 Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados;
38 dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também”.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Não julgueis! (Lc 6,36-38)

Entendo que alguém possa estranhar esta exortação de Jesus: “Não julgueis e não sereis julgados”. O olho atento há de perceber a cláusula implícita: não julgueis e (em consequência) não sereis julgados. Isto é, quem assume o papel de juiz não escapará à condição de réu! Ao contrário, quem usa de misericórdia também encontrará misericórdia.

De onde vem nossa estranheza? É que nos ensinaram que devíamos ter “espírito crítico”. Em decorrência disso, aprendemos a julgar a tudo e a todos, indiscriminadamente. E nos entregamos à mais crua contabilidade: quem deve tem de pagar! E, ao fazê-lo, não percebemos em nós mesmos os sintomas do desespero…

Sim, querer realizar – já – o balanço de um mundo que ainda não está pronto, é mais que ansiedade: é falta de esperança. Significa que, no fundo, não esperamos que as coisas mudem para melhor. Não passa por nossa cabeça que ocorra algum milagre. Não cremos em uma possível (mesmo que improvável) salvação.

Assim, para obedecer a Jesus Cristo e não assumir implacavelmente a beca negra dos magistrados, nós precisamos manter viva a esperança.

É dela que eu falo em meu soneto “Noturno”:

Ergue teus olhos para os céus azuis,
Onde o sol agoniza no poente:
A claridade se desfaz, dormente,
Mas o amanhã trará de novo a luz…

Se teu jardim tem os canteiros nus
Depois da seca, no verão ardente,
Há de florir a rosa novamente
Para exalar o aroma que seduz…

Não te espantes se, agora, vence o mal
E a rosa se desfolha ao vendaval,
As pétalas caídas pelo chão…

Mesmo na noite, eleva a tua prece,
Pois a esperança sempre prevalece,
Moendo o trigo e amassando o pão!

Orai sem cessar: “Em vós, Senhor, eu espero sempre!” (Sl 25,5)

Texto e soneto de Antônio Carlos Santini, da Com. Católica Nova Aliança.