DIA 18 DE JANEIRO – DOMINGO

II DOMINGO DO TEMPO COMUM

Evangelho (João 1,35-42)

1 35 No dia seguinte, estava lá João outra vez com dois dos seus discípulos.
36 E, avistando Jesus que ia passando, disse: “Eis o Cordeiro de Deus”.
37 Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus.
38 Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: “Que procurais?” Disseram-lhe: “Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?”
39 Vinde e vede, respondeu-lhes ele. Foram aonde ele morava e ficaram com ele aquele dia. Era cerca da hora décima.
40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João e que o tinham seguido.
41 Foi ele então logo à procura de seu irmão e disse-lhe: “Achamos o Messias (que quer dizer o Cristo)”.
42 Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: “Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas (que quer dizer pedra)”.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Fitando o olhar em Jesus… (Jo 1,35-42)

Ubi amor, ibi oculus. Onde está o amor, aí está o olhar. E toda a literatura renascentista insistiu neste traço singular da natureza do amor: ser despertado pelo olhar. A própria definição de “belo” que os antigos nos oferecem também parte do olhar humano : quod visum placet: belo é aquilo que agrada ao ser visto.

O Evangelho da liturgia de hoje chama nossa atenção para a importância do olhar. Quase poderíamos resumir assim sua mensagem: “dize-me para onde olhas e eu te direi quem és…” Mesmo que tentemos ocultá-lo, nosso olhar é altamente revelador. Já chamaram os olhos de “janelas da alma”. Com muita frequência, nosso olhar nos trai, revelando aquilo que gostaríamos de manter oculto. É que o olhar denuncia nossas preferências, deixa escapar nossos segredos…

Um exemplo simples? Que tipo de programa eu vejo habitualmente na TV? Que espécie de filme me atrai de modo especial? Guerras e conflitos? Romances e idílios? Intimidades amorosas? Violência gratuita? Programa policial? Pois aí está uma “re-velação” do meu íntimo. Uma retirada de véus que mal escondem nosso mundo interior.

No Evangelho de hoje, quando Jesus passa junto ao Rio Jordão, dois discípulos (de João Batista) fixam nele o seu olhar. Evidentemente, é o olhar de quem anda à procura do encontro. O olhar profundo que manifesta a sede interior. E esse olhar acabará sendo recompensado com o inesperado convite à intimidade, a oportunidade de conhecer o lugar onde o Mestre mora: “Vinde ver!”

Hoje, no meio de uma sociedade que contempla o mal, ainda existem fiéis apaixonados por Jesus Cristo. Sabendo – e crendo! – que Jesus está presente no sacrário, nas espécies consagradas, esses apaixonados se fazem adoradores. De olhos fixos no Senhor, eles se quedam em silêncio prolongado, como quem se expõe à luz de um sol espiritual para se encharcar no amor divino.

Em seu último Documento publicado, como uma espécie de “último desejo”, o Papa João Paulo II escrevia: “Permaneçamos longamente prostrados diante de Jesus presente na Eucaristia, reparando com nossa fé e nosso amor os descuidos, os esquecimentos e até os ultrajes que nosso Salvador deve sofrer em tantas partes do mundo. Aprofundemos na adoração a nossa contemplação pessoal e comunitária, servindo-nos também de subsídios de oração sempre marcados pela Palavra de Deus e pela experiência de tantos místicos antigos e recentes”. (Mane Nobiscum, Domine, 18.)

O Senhor Jesus anda esperando por nossos olhares…

Orai sem cessar: “Os meus olhos estão sempre fixos no Senhor!” (Sl 25,15)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.