DIA 22 DE FEVEREIRO – DOMINGO

I DOMINGO DA QUARESMA

Evangelho (Marcos 1,12-15)

12 E logo o Espírito impeliu Jesus para o deserto.
13 Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia dos animais selvagens. E os anjos o serviam.
14 Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia:
15 “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho.”

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Arrependei-vos! (Mc 1,12-15)

Curioso como a expressão “Reino dos Céus”, que aparece na pregação de João Batista e reaparece na de Jesus Cristo, tem sido associada a tanta coisa diferente. Quando se fala nesse Reino, alguns pensam na Igreja aqui na terra, dominante e gloriosa; outros imaginam um planeta pós-revolução, onde os tiranos já foram eliminados e o povo divide pacificamente suas colheitas. É raro, porém, que esse Reino seja associado a… conversão!

No entanto, a associação estava clara nas duas pregações acima citadas: o Reino está próximo, então… arrependei-vos! Entre os que perceberam esta ligação, está Cesário de Arles [470-543 d.C.]:

“O Reino dos céus é Cristo que – temos certeza disso – conhece os atos bons e maus e julga todos os motivos de nossos atos. Também precisamos antecipar-nos a Deus, confessando nossas faltas, e reprimir todos os desregramentos da alma antes do julgamento. Nós nos expomos ao perigo se não sabemos qual é o tratamento a seguir para a cura do pecado. Devemos arrepender-nos antes de tudo porque sabemos que prestaremos conta das razões de nossos erros.

Vejam, irmãos bem-amados, como é grande a bondade de Deus para conosco, tão grande que ele quer perdoar o pecado de quem se reconhece culpado e o repara antes do juízo. Ele, o justo Juiz, sempre faz preceder o julgamento por uma advertência, para jamais ter de exercer uma justiça severa. Se Deus quer tirar de nós um rio de lágrimas, não é sem motivo, irmãos bem-amados, mas para que possamos recuperar pelo arrependimento aquilo que havíamos perdido por negligência.

Nosso Deus sabe que o homem não tem sempre uma vontade reta, e que ele pode muitas vezes pecar em sua carne ou cometer desvios de linguagem. E também nos ensinou o caminho do arrependimento, pelo qual podemos reparar os prejuízos que causamos e corrigir-nos de nossas faltas. Para estarmos seguros de obter-lhe o perdão, jamais devemos cessar de lamentar nossos pecados.

Por mais fragilizada que esteja a natureza humana, em razão de tantas feridas, ninguém deve desesperar, pois o Senhor é de uma generosidade tão grande, que ele distribui sem reserva os dons de sua misericórdia sobre todos que já estão sem forças.

Que ninguém os desvie, meus bem-amados, pois a pior espécie de pecado consiste em não perceber os próprios pecados. Enquanto todos os que reconhecem suas faltas podem reconciliar-se com Deus ao se arrependerem, nenhum pecado merece mais a nossa piedade que aquele que acredita nada ter a se reprovar.”

Uma lição simples e clara. Como disse o sambista, “perdão foi feito pra gente pedir”. Só o orgulhoso se condena…

Orai sem cessar:“No teu grande amor, cancela o meu pecado!” (Sl 50,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.