Foi a mim que o fizestes… (Mt 25,31-46)

Madre Teresa de Calcutá, no exercício de sua missão, definia os pobres e os doentes como o “doloroso disfarce de Cristo”. Em seus hospitais, na cabeceira do leito dos enfermos, estava a frase: “Body of Christ” [corpo de Cristo], na mais surpreendente Eucaristia.

Neste Evangelho, Jesus nos revela que o critério de julgamento no Juízo Final será concretamente a atitude que tivemos em relação aos mais pobres e fragilizados que cruzaram nosso caminho. E o resume em uma frase: “Foi a mim que o fizestes!”

Padre Louis Gillet, sacerdote da Igreja Ortodoxa, assim comenta esta passagem: “Neles (os desconhecidos) nós é dada a possibilidade de um encontro incessante com Jesus. Meu Senhor se manifesta a mim no escritório, na oficina, na loja, no ônibus, nas filas que esperam impacientes. Nós encontramos a Cristo em seus templos, mas é ao sair desses lugares ditos “sagrados” que ele nos convida a começar a procura e a descoberta de sua pessoa sob os traços de nossos irmãos”.

Não admira que muitos itinerários espirituais que nós classificamos como “conversão” tenham começado exatamente nesses “encontros” fora dos muros do templo!

Louis Gillet prossegue: “Esta via de humilde acesso é ao mesmo tempo muito fácil e muito difícil. Fácil, pois Jesus está ali, em cada um daqueles que nos cercam. Difícil, pois aquilo que é mais comum, mais ordinário, mais cotidiano, requer o maior esforço… A cada passo, nós podemos transfigurar os homens se retiramos neles a Sagrada Face muitas vezes desfigurada. São João Crisóstomo nos declara que o altar vivo e humano colocado em cada rua, em cada esquina, é mais sagrado que o altar de pedra, pois sobre o segundo Cristo é oferecido, mas o primeiro é o próprio Cristo”.

Após sua morte e ressureição, Jesus Cristo sobe de volta ao Pai. Mas se despede dizendo uma frase aparentemente ilógica, ao afirmar: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”. (Mt 28,20) Habitualmente, esta frase é traduzida como indicação da presença eucarística em nossos sacrários. Pois seria mais natural, menos forçado, traduzi-la como a presença do pobre no meio de nós. Aliás, o Mestre também disse: “Pobres, sempre os tereis…” (Jo 12,8)

Orai sem cessar: “Contemplarei, Senhor, a tua Face na justiça…” (Sl 17,15)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.