8/02/2016 – Ficavam curados… (Mc 6,53-56)

Um dos sinais messiânicos é exatamente a libertação das enfermidades. Uma das facetas do Messias – ao lado do Mestre e do taumaturgo – é seu perfil de Médico. Uma “medicina” que regenera o corpo (ao limpar o leproso) e a alma (ao perdoar pecados e expulsar demônios).

Quando o racionalismo iluminista invadiu certos setores da Igreja, em especial as camadas da teologia acadêmica, veio crescendo um claro mal-estar diante do “ministério de cura” da Igreja. No centro, uma espécie de ressentimento contra Deus que, tendo dado ao mundo material as leis físicas, químicas e biológicas, estaria agora atrelado a suas próprias leis e, por isso mesmo, proibido de interferir no mundo dos homens. Nosso mundo! Sua pregação afirma que os doentes devem ir ao médico. Os angustiados, ao psiquiatra. Os paralíticos, ao fisioterapeuta. Em resumo, devemos esquecer o céu e contar apenas com nossos recursos humanos.

Mas o povo simples ainda espera do bom Deus a cura de seus males físicos, morais e espirituais. E faz muito bem! A salvação que Jesus nos trouxe é dirigida ao homem integral. A Encarnação do Verbo de Deus foi pra valer! Assim, inspirado em S. Gregório Nazianzeno, compus o soneto “Encarnação”, que ofereço para você.

Um Deus que chora, e faz cessar o pranto,
O que tem sede, e vem nos saciar,
Sofre o cansaço, e chama a repousar
Sob as dobras tranquilas de seu manto…
Um Deus tentado, e permanece Santo,
O batizado, e vem nos batizar,
Baixado ao túmulo, vem nos chamar
A dominar a morte e o seu espanto…
Feito escravo por dracmas de prata,
A humanidade inteira ele resgata,
Cura a cegueira e rasga todo véu!
Pregado em sua Cruz obscurecida,
Ele a transforma em árvore da Vida
Pra nos reconduzir de volta ao Céu!

Orai sem cessar: “É Ele quem cura todos os teus males!” (Sl 103,3)

Texto e poema de Antônio Carlos Santini, da Com. Católica Nova Aliança.