Ficai preparados! (Mt 24,42-51)

Entre aqueles que se dizem fiéis, em especial os que se creem “renovados no Espírito”, penso encontrar mais gente apressada em servir o Senhor do que servidores à espera dele. É como se eles pudessem agir por conta própria… Ficaria o Senhor dispensado de intervir em nossa história?

De fato, é mais fácil tomar iniciativa e fazer alguma coisa do que, humildemente, esperar que o Senhor entre em campo e dê o pontapé inicial da partida. Um notável mestre espiritual do Séc. XX, Lev Gillet, merece nossa meditação:

“Felizes aqueles que seguem e sabem aonde vão! Felizes aqueles cujo passo é apressado e veem o caminho que conduz ao Reino! Mas também são felizes aqueles que esperam, os que chamam pelo Senhor, os que ignoram a hora de sua vinda e não cessam de clamar: ‘Vem! Vem! Vem ainda curar, perdoar, consolar, salvar!’

Feliz aquele cujo olhar acompanha todos os olhares do Senhor sobre o mundo e, ao mesmo tempo, não pode desviar seu olhar da face de seu Senhor! Naqueles que seguem e nestes que esperam, já começa a Segunda Vinda. Acontece, já, a irrupção do Rei nas almas e no universo.

Não será que nós percebemos mais facilmente a graça do seguimento que a graça da espera?

A espera do Senhor não é estática. Ela não é um repouso. Toda verdadeira espera pelo Senhor implica uma transformação. A espera pelo Senhor é uma erradicação. Ela nos arranca de nosso terreno, de nosso meio. Ela nos desenraíza. Ela nos isola. Já não vemos mais como os outros, porque nossa visão atinge mais longe. Eles não sabem, não esperam. Mas se ocorre que os outros esperem conosco, esperem por Aquele que esperamos, então a mesma espera cria entre os corações a comunhão mais íntima.

A espera pelo Senhor não apenas priva de seu valor as coisas diferentes daquelas que esperamos, mas ela nos toma o próprio momento presente. De fato, o que nos interessa não é aquilo que é o momento presente. O que esperamos, o que nos interessa de modo supremo, é Aquele que o instante nos traz, é a chegada e o contato do Senhor neste instante.

Somente aquele que espera pelo Senhor é capaz de apreciar o instante presente, conhecer sua significação e riqueza. É que ele sabe situar este instante em sua exata perspectiva. Ele sabe coordená-lo à vinda do Senhor. A espera lhe abre os olhos e lhe faz ver os homens e o mundo tais como são em sua realidade profunda.”

Este é o servo que receberá a administração dos bens do Senhor (cf. Mt 24,47). Com a espera, ele despertou do sono e já não confunde as ilusões com a realidade. Ele é feliz…

Orai sem cessar: “Mais que as sentinelas a aurora, Israel espere pelo Senhor!” (Sl 130,6-7)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.