Felizes os vossos olhos! (Mt 13,16-17)

Neste Evangelho, Jesus contrasta as gerações anteriores, como os profetas de outrora, e a geração dos discípulos que, graças à revelação do Filho de Deus, teve acesso a mistérios até então escondidos. De certo modo, tal “privilégio” ainda permanece atual, pois nós nascemos em ambiente cristão, enquanto milhões de pessoas ainda desconhecem o Salvador.

Basta considerar que apenas seis nações – Índia, China, Japão, Indonésia, Bangladesh e Paquistão – somam 48% da população do planeta, mas apresentam um percentual de cristãos em torno de 2,5% de seus habitantes. Enquanto nós fomos mergulhados no Jordão de nosso batismo, os hindus mergulham nas águas do Ganges, com ritos de purificação que incluem esterco de vacas…

É de Orígenes o seguinte comentário: “Todos aqueles que veem não são igualmente iluminados por Cristo, mas cada um o é na medida em que ele pode receber a luz. Os olhos de nosso corpo também não são igualmente iluminados pelo sol; quando mais se sobre a lugares elevados, mais se contempla do alto o seu levantar, melhor se percebe também seu brilho e calor. Igualmente o nosso espírito, quanto mais se elevar para perto de Cristo e se oferecer de perto ao brilho de sua claridade, tanto mais magnífica e brilhantemente será também irradiado por sua luz, como diz, pelo profeta, o próprio Senhor: ‘Aproximai-vos de mim, e eu me aproximarei de vós!’ (Tg 4,8)

Entretanto, não é da mesma maneira que nós vamos a ele, mas cada um segundo suas próprias possibilidades. Ou antes, de fato, é com as multidões que vamos a ele, e ele nos restaura ‘em parábolas’, para que não desfaleçamos em jejum pelo caminho, ou antes, sempre e sem cessar, ‘permaneçamos aos seus pés’, preocupados apenas em ouvir sua palavra, sem jamais nos deixarmos perturbar pelos ‘múltiplos cuidados do serviço’, mas escolhendo a melhor parte, que ‘não nos será tirada’ (Lc 10,42).

E sem qualquer dúvida, aqueles que assim se aproximam dele, recebem bem mais a sua luz. Mas se, como os Apóstolos, sem jamais nos afastarmos, por pouco que seja, permanecemos sempre com ele ‘em todas as suas tribulações’ (Lc 22,28), então ele nos explica em segredo o que ele havia dito às multidões, e no-lo esclarece, e é com mais claridade ainda que ele nos ilumina.

Enfim, se for encontrado alguém capaz de subir com ele até o alto da montanha, como Pedro, Tiago e João, ele será ali iluminado, não somente pela luz de Cristo, mas também pela voz do próprio Pai.”

Orai sem cessar: “Meus olhos estão continuamente no Senhor!” (Sl 25,15)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.