DIA 24 DE FEVEREIRO – TERÇA-FEIRA

Evangelho (Mateus 6,7-15)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos 6 7 “Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras.
8 Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais.
9 Eis como deveis rezar: PAI NOSSO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome;
10 venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
11 O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
12 perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam;
13 e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará.
15 Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará”.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Seja feita a vossa vontade… (Mt 6,7-15)

Uma bela aspiração: que se faça a vontade de Deus. Frase tantas vezes repetida em nossas orações pessoais ou comunitárias! Pena que nem sempre corresponda a um autêntico anseio de nosso coração…

Por exemplo: no brasão de armas da casa real da Inglaterra, pode-se ler o lema: “Fiat voluntas mea” [Faça-se a MINHA vontade]. A vontade do rei, não a vontade de Deus. Algo semelhante ao que narrava um missionário italiano no Japão. Ao ensinar o Pai-Nosso às crianças, e chegando a esta petição, os pequenos japoneses protestaram: – “Não! Ele é quem deve fazer a nossa vontade!” Os minicatecúmenos queriam um Deus semelhante ao gênio da lâmpada: bastava esfregar e o djim comparecia para atender às veleidades do patrão…

Na Suma Teológica, Santo Tomás nos fala dos cinco sinais que podem manifestar a vontade divina para nós: a proibição, o preceito, o conselho, a operação e a permissão. E logo vem à nossa mente que o Criador estabelecera uma única proibição (cf. Gn 2,17), e foi justamente na árvore interdita que o primeiro casal foi procurar alimento. Isto é, minha vontade pessoal se sobrepõe à vontade divina expressa na proibição.

E aqueles fiéis que se insurgem abertamente contra os preceitos de Deus, gravados na Escritura Sagrada ou canalizados através da Igreja? A vontade de Deus fica soterrada por uma visão de mundo personalizada, por preferências e facilidades, por ideologias ou compromissos humanos. Por exemplo, no caso dos abortistas, que ignoram radicalmente o “Não matarás” impresso a fogo na rocha do Sinai.

Pedimos que se faça a vontade de Deus, mas discutimos longamente o estranho conselho que manda “amar os inimigos” (Mt 5,44), pois nos arrogamos o direito à vingança e invocamos o direito arcaico do “olho por olho”. Cravado no madeiro, Jesus perdoa seus algozes e nós… clamamos pela pena de morte…

Precisa mais? Não está claro que perdemos o direito de rezar o Pai-Nosso? Dirigir-nos a um Pai, que é Pai meu e dos outros, inclusive daqueles que eu odeio e dos quais pretendo vingar-me? No fundo, o Pai-Nosso me compromete com uma Vontade que não é a minha!

Creio dispensável uma referência ao quarto e ao quinto sinal, pois as realidades que Deus tem “permitido” em nossa vida são exatamente aquelas que classificamos como desgraças, desastres e fatalidades inaceitáveis. Penso, por exemplo, na revolta de casais que não conseguem engravidar, ou no desespero daqueles que perderam um filho. Como é difícil aceitar – aqui no aquém-túmulo – que Deus possa ter um desígnio mais alto para mim, mesmo que incompreensível no momento!

Um dia, talvez, o Pai-Nosso venha a ser verdadeiro para nós…

Orai sem cessar: “Dirige-me na senda dos teus mandamentos!” (Sl 119,35)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.