DIA 05 DE JANEIRO – SEGUNDA-FEIRA

Evangelho (Mateus 4,12-17.23-25)

Jesus pregava a boa nova, o reino anunciando, e curava toda espécie de doenças entre o povo (Mt 4,23).

13 Deixando a cidade de Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, à margem do lago, nos confins de Zabulon e Neftali,
14 para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:
15 “A terra de Zabulon e de Neftali, região vizinha ao mar, a terra além do Jordão, a Galiléia dos gentios,
16 este povo, que jazia nas trevas, viu resplandecer uma grande luz; e surgiu uma aurora para os que jaziam na região sombria da morte”.
17 Desde então, Jesus começou a pregar: “Fazei penitência, pois o Reino dos céus está próximo”.
23 Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.
24 Sua fama espalhou-se por toda a Síria: traziam-lhe os doentes e os enfermos, os possessos, os lunáticos, os paralíticos. E ele curava a todos.
25 Grandes multidões acompanharam-no da Galiléia, da Decápole, de Jerusalém, da Judéia e dos países do outro lado do Jordão.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

O Reino está próximo… (Mt 4,12-17.23-25)

Este Evangelho costuma dar espaço a um equívoco muito comum. Quando se ouve Jesus anunciar que o Reino está “próximo”, quase sempre este adjetivo é traduzido como “próximo no tempo”, isto é, o Reino “não tarda a chegar”.

Ora, o Reino já chegou. O Reino de Deus – ou seja, aquele espaço onde a vontade do Pai é plenamente obedecida e realizada – é uma Pessoa: trata-se do próprio Jesus. Assim, dizer que o Reino “está próximo” significa declarar que Jesus está no meio de nós e, por isso mesmo, bem ao nosso alcance. Trata-se de uma proximidade geográfica. Basta estender a mão para o tocar…

Sim, Aquele com quem os patriarcas sonharam pelas noites estreladas, Aquele que os profetas do passado anunciaram – ei-lo agora em nossas estradas, em nossas praças, em nossas esquinas. Nicodemos pode falar com ele na escuridão da noite. A samaritana pode vê-lo, suado e faminto, à beira do poço de Jacó. A hemorroíssa pode aproximar-se e tocar seu manto para ser curada. A pecadora pode lavar-lhe os pés com suas lágrimas abençoadas. Sim, Ele está no meio de nós…

Os teólogos gostam de dizer que, em Jesus Cristo, o Deus transcendente (isto é, fora de nosso alcance) se fez imanente (entrou na história e no espaço dos homens). Em outros termos, Deus “baixou”! Era Deus e, descendo, fez-se homem. Desce mais e se faz servo, lavando os pés dos discípulos. Desce mais e aceita ser tratado como escravo ao morrer na cruz (suplício proibido a um cidadão romano, como o apóstolo Paulo, morto pela espada). Jesus continua sua descida, baixando da cruz ao túmulo, como qualquer mortal.

Pois o Senhor não acaba de descer. Após sua morte, desce à mansão dos mortos (cf. 1Pd 3,19; 4,6) para anunciar-lhes a Boa Nova e permitir a sua adesão. Enfim, como se não bastasse todo esse rebaixamento – sua kênosis ou despojamento (cf. Fl 2,6-8) –, Jesus Cristo ainda desce em cada Eucaristia: ali no altar, na forma humilde de massa de pão, faz-se nosso alimento de caminhada.

Depois de tudo isso, é hora de abandonar a visão de um cristianismo em forma de subida ou escalada, galgando heroicamente os cumes da santidade. Não somos super-heróis! Não somos atletas de Cristo! Deus desceu. Está próximo. Identifica-se com todo aquele que sofre em sua humana condição: o faminto e o sedento, o presidiário e o enfermo, o que não tem roupa nem casa.

Esta é de fato uma Boa Nova. Deus se faz próximo. Não se oculta além das galáxias. Basta estender a mão e o encontraremos
Você estenderá a sua?

Orai sem cessar: “Mas vós, Senhor, estais bem perto!” (Sl 119,151)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.