DIA 3 DE MARÇO – TERÇA-FEIRA

Evangelho (Mateus 23,1-12)

1 Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos,disse:
2 Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés.
3 Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem.
4 Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo.
5 Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens, por isso trazem largas faixas e longas franjas nos seus mantos.
6 Gostam dos primeiros lugares nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas.
7 Gostam de ser saudados nas praças públicas e de ser chamados rabi pelos homens.
8 Mas vós não vos façais chamar rabi, porque um só é o vosso preceptor, e vós sois todos irmãos.
9 E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus.
10 Nem vos façais chamar de mestres, porque só tendes um Mestre, o Cristo.
11 O maior dentre vós será vosso servo.
12 Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

E todos vós sois irmãos… (Mt 23,1-12)

As divisões e hostilidades entre aqueles que dizem seguir o mesmo Mestre constituem um escândalo para o mundo. Guerras violentas entre nações cristãs, ásperos conflitos entre equipes de pastoral, discórdias entre membros da mesma família – não importa a dimensão dos adversários – acabam desmentindo a fé que proclamamos. Se um marciano pousasse no planeta Terra, teria dificuldade em acreditar que somos membros da mesma raça.

Um olhar neutro percebe que estamos longe de viver como irmãos… Na Exortação Apostólica “Reconciliação e Penitência” (1984), o Papa João Paulo II recordava os dolorosos fenômenos sociais de nosso tempo:

– direitos da pessoa humana espezinhados, em especial o direito à vida;
– insídias e pressões contra a liberdade dos indivíduos e das coletividades;
– discriminação racial, cultural, religiosa, etc.;
– violência e terrorismo; tortura e repressão ilegítima;
– acumulação de armas convencionais e atômicas;
– distribuição iníqua dos recursos e bens da civilização;
– progressivo distanciamento entre ricos e pobres.

No entanto, ao mesmo tempo, experimenta-se uma profunda “nostalgia de reconciliação”. “O mesmo olhar indagador – afirmava o Papa – se é suficientemente perspicaz, captará no seio da divisão um desejo inconfundível, da parte dos homens de boa vontade e dos verdadeiros cristãos, de recompor as fraturas, de cicatrizar as lacerações e de instaurar, em todos os níveis, uma unidade essencial. Este desejo comporta, em muitos casos, uma verdadeira nostalgia de reconciliação, mesmo quando não é usada tal palavra.” (RP, 3.)

Desde a segunda metade do Séc. XX, após o desastre e a agonia de duas guerras mundiais, inúmeras vozes se ergueram para clamar pela reconciliação. Belíssimos gestos humanos foram dados nesse sentido, ao estender as mãos sobre muralhas seculares de ódio e antagonismo. Na passagem do milênio, o próprio João Paulo II encabeçou um sentido processo de purificação da memória, ao pedir perdão, em nome de toda a Igreja, por faltas cometidas no passado.

Encontros de lideranças internacionais, visitas do Papa à sinagoga e ao Patriarca ortodoxo, suspensão mútua de excomunhões – tudo sinaliza o mesmo anseio de unidade e paz. A paz se constrói de gestos pequenos, diários. Seu ingrediente essencial é o perdão, que permite reatar a amizade rompida e recomeçar um caminho de fraternidade.
Por onde começaríamos nós?

Orai sem cessar: “A paz esteja convosco!” (Jo 20,19)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.