DIA 16 DE FEVEREIRO – SEGUNDA-FEIRA

Evangelho (Marcos 8,11-13)

Naquele tempo, 8 11 vieram os fariseus e puseram-se a disputar com ele e pediram-lhe um sinal do céu, para pô-lo à prova.
12 Jesus, porém, suspirando no seu coração, disse: “Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: jamais lhe será dado um sinal”.
13 Deixou-os e seguiu de barca para a outra margem.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

O guarda de meu irmão? (Gn 4,1-15.25)

Ao contrário do que ouvi em muitas pregações, não sinto na pergunta de Caim um tom de insolência e desafio. Sua pergunta não é absolutamente uma frase de deboche. Creio, antes, que o irmão assassino realmente ainda não tinha consciência de seus deveres de fraternidade. Só agora, depois do nefando crime, Caim começa a perceber que devia guardar e tutelar o outro irmão.

Alguém se espanta com isto? Pois há mais motivos de espanto: de algum modo, todos nós somos Caim!
Os mendigos batem à nossa porta e nos sentimos incomodados por eles. Eles são Abel… Há uma legião de analfabetos à nossa volta e nunca nos dispusemos a alfabetizar um único deles. Somos Caim. A jovem solteira ficou grávida e nós não a animamos a ter a criança. O feto é Abel.

O estudante fica feliz e comemora porque o concorrente se deu mal no vestibular. Este é Caim…
Depois de vinte séculos de cristianismo, nós ainda estamos bem longe de edificar uma sociedade fraterna onde os bens sejam partilhados conforme as necessidades de cada um. A ânsia capitalista de acumular sempre mais e o medo de perder os bens já acumulados nos transformaram em trêmulos prisioneiros em nossa própria casa. São muros altos, encimados de cacos de vidro. São cercas elétricas e arame farpado como nos campos de concentração nazistas. São portões eletrônicos e guardas armados na guarita. Tudo porque, lá fora, está Abel. Aqui dentro, Caim.

E a Escritura Sagrada precisa gritar insistentemente para nós, os profetas roucos precisam esgoelar-se: – Sim, você é exatamente o guarda de seu irmão. Não o mate outra vez, mas arrisque a sua própria vida para salvar o irmão em perigo. Abel drogado. Abel nu. Abel faminto. Abel encarcerado. Abel perfurado pela bala perdida. Abel no seu portão, pedindo apenas um prato de comida.

Ao tomar consciência de seu crime, Caim sente remorso. Teme ser alvo de vingança. E Deus – que é amor – traça em sua fronte um sinal: ele é meu! Ele me pertence! Ninguém o tocará!

Também na nossa fronte, desde o batismo cristão, Deus traçou uma cruz. Nós lhe pertencemos. Assim como lhe pertencem todos os outros irmãos que atravessam nosso caminho. E este será o único critério de nosso julgamento, no Juízo Final: a identificação – ou não – daquele a quem deveríamos guardar, tutelar, proteger. Caim só entrará no céu abraçado a seu irmão…

Orai sem cessar: “Por amor de meus irmãos e de meus amigos, pedirei a paz para ti.” (Sl 122,8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.