DIA 12 DE FEVEREIRO – QUINTA-FEIRA

Evangelho (Marcos 7,24-30)

Naquele tempo, 24 em seguida, deixando aquele lugar, Jesus foi para a terra de Tiro e de Sidônia. E tendo entrado numa casa, não quis que ninguém o soubesse. Mas não pôde ficar oculto,
25 pois uma mulher, cuja filha possuía um espírito imundo, logo que soube que ele estava ali, entrou e caiu a seus pés.
26 Essa mulher era pagã, de origem siro-fenícia. Ora, ela suplicava-lhe que expelisse de sua filha o demônio.
27 Disse-lhe Jesus: “Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não fica bem tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães”.
28 Mas ela respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos debaixo da mesa comem das migalhas dos filhos”.
29 Jesus respondeu-lhe: “Por causa desta palavra, vai-te, que saiu o demônio de tua filha”.
30 Voltou ela para casa e achou a menina deitada na cama. O demônio havia saído.

Palavra da Salvação

Meditando a Palava

12/02/2015 – Não é bom… (Gn 2,18-25)

Conforme narra o Livro do Gênesis, a cada passo da criação, o Deus “poeta” contemplava sua obra e via que tudo era bom. Foi assim com a luz primordial. Foi assim com a água generosa e com a terra fértil. Fora assim também com os vegetais e os animais que se multiplicaram sobre o planeta.

Ao criar o homem, porém, Deus contemplou Adão e disse: “Não é bom… que o homem esteja só!” (Gn 2,18.) No seio da Trindade, as três Pessoas divinas viviam em família. Ora, criado à imagem de Deus, o homem não fora chamado à solidão. Daí a criação da mulher, na delicada imagem do Gênesis, quando ela é extraída “do lado do homem”, bem junto ao coração. E o jubiloso espanto de Adão: “Osso de meus ossos, carne de minha carne” – ao contemplar, pela primeira vez na Criação, a presença de um ser – o único! – com o qual podia entrar em comunhão.

No matrimônio, homem e mulher realizam uma profunda fusão de suas pessoas, definitiva, indissolúvel. Se, por infelicidade, vêm a separar-se, eles experimentam uma espécie de amputação do próprio ser. Como nos versos de Chico Buarque: “Ó metade amputada de mim!…”

Além de receber o sopro vital, o investimento da vida divina (cf. Gn 2,7), o ser humano recebeu do Criador as sementes de vida que permitiriam a fecundação e a propagação do gênero humano ao longo dos séculos. Nas palavras de João Paulo II, “com a criação do homem e da mulher à sua imagem e semelhança, Deus coroa e leva à perfeição a obra de suas mãos: Ele chama-os a uma participação especial do seu amor e do seu poder de Criador e de Pai, mediante uma cooperação livre e responsável deles na transmissão do dom da vida humana: Deus abençoou-os e disse-lhes: ‘crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra’”. (Familiaris Consortio, 28.)

Hoje, caminhamos na contramão. Neste início de milênio, os estudiosos da demografia já identificaram uma sensível redução na capacidade procriadora dos homens. A curva populacional é descendente em vastas regiões do planeta. Ao mesmo tempo, a indústria do aborto motiva e financia uma legislação assassina que resulta em milhões de vidas lançadas no lixo. Enquanto isso, Madre Teresa de Calcutá profetizava: “O mundo não terá a paz enquanto tantos abortos forem cometidos”.

Se a solidão humana não é algo bom, também não é bom que o amor entre homem e mulher seja desviado de sua função mais nobre, a geração da vida. Aliás, o que está em jogo é o futuro da humanidade.

Orai sem cessar:“Os filhos são um dom de Deus.” (Sl 127,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.