DIA 4 DE FEVEREIRO – QUARTA-FEIRA

Evangelho (Marcos 6,1-6)

Naquele tempo, 6 1 depois, Jesus partiu dali e foi para a sua pátria, seguido de seus discípulos. 2 Quando chegou o dia de sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos o ouviam e, tomados de admiração, diziam: “Donde lhe vem isso? Que sabedoria é essa que lhe foi dada, e como se operam por suas mãos tão grandes milagres?
3 Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs?” E ficaram perplexos a seu respeito.
4 Mas Jesus disse-lhes: “Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e na sua própria casa”.
5 Não pôde fazer ali milagre algum. Curou apenas alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.
6 Admirava-se ele da desconfiança deles. E ensinando, percorria as aldeias circunvizinhas.

Palavra da Salvação

Meditando a Palavra

Jesus se admirava da incredulidade deles… (Mc 6,1-6)

Creio que a maioria dos crentes não tem uma consciência clara do grande milagre que é o dom da fé. Na prática, nós nos acostumamos ao fato de crer, como se fosse algo natural, como se não se tratasse de um notável sinal da predileção divina.
Para muita gente, a hipótese de crer ergue-se mesmo como uma ameaça, sob o risco de abrir mão da autonomia, da racionalidade, da liberdade pessoal. Fazer um ato de fé lhes pareceria uma inaceitável diminuição de sua pessoa humana. A recusa em crer chega a ser erguida como uma bandeira de dignidade…

O monge Silvano do Monte Athos [1866-1938], canonizado pelo Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, vem ajudar nossa reflexão:
“Para conhecer o Senhor, não é necessário ser rico ou sábio, mas é preciso ser obediente, sóbrio, ter um espírito humilde e amar o próximo. O Senhor amará uma alma assim; ele se revelará a ela, ensinar-lhe-á o amor e a humildade e lhe dará tudo que lhe é necessário para encontrar a paz em Deus.

Eis um mistério: existem almas que conheceram o Senhor; há outras que não o conheceram, mas nele creem. Enfim, há homens que não só não conheceram a Deus, mas nele não creem. Entres estes últimos, existem até pessoas instruídas.

É o orgulho que impede ter a fé. O homem orgulhoso quer tudo compreender por sua inteligência e sua ciência, mas não lhe é dado conhecer a Deus, pois o Senhor só se revela aos humildes. Às almas humildes, o Senhor mostra suas obras, que são incompreensíveis ao nosso entendimento, mas reveladas pelo Espírito Santo. Com a inteligência, apenas, só se pode conhecer aquilo que é terrestre – e, mesmo assim, parcialmente -, enquanto o conhecimento de Deus e do mundo celeste provém somente do Espírito Santo

Aquele que não gosta de rezar é curioso por explorar tudo o que vê na terra e no céu, mas nada sabe do Senhor nem se esforça por aprendê-lo. Quando ouve um ensinamento sobre Deus, ele diz: ‘Como se pode conhecer a Deus? E tu, de onde o conheces?’ Eu te direi: ‘É o Espírito Santo que dá testemunho de Deus; ele o conhece e nos instrui’.

Privada da Graça, nossa inteligência não pode conhecer a Deus, mas é incessantemente atraída pelas coisas terrestres: as riquezas, a glória, os prazeres. O amor pode ser fraco, médio ou perfeito. Tanto mais é perfeito o amor, mais perfeito é o conhecimento.
Ó milagre! Mesmo a mim, que sou um grande pecador, o Senhor não me desprezou, mas permitiu-me conhecê-lo pelo Espírito Santo. Oh! Como eu seria feliz se todos os povos da terra conhecessem o Senhor!”

Orai sem cessar:“Entrega ao Senhor o teu futuro!” (Sl 37,5)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.