DIA 23 DE JANEIRO – SEXTA-FEIRA

Evangelho (Marcos 3,13-19)

Naquele tempo, 3 13 Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram a ele.
14 Designou doze dentre eles para ficar em sua companhia.
15 Ele os enviaria a pregar, com o poder de expulsar os demônios.
16 Escolheu estes doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro;
17 Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer “Filhos do Trovão”.
18 Ele escolheu também André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão, o Zelador;
19 e Judas Iscariotes, que o entregou.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Aquele que o traiu… (Mc 3,13-19)

Este Evangelho realmente faz pensar… Interrompendo a roda-viva de seu ministério, Jesus vai passar a noite inteira em oração, no silêncio da montanha. Ora, a montanha é lugar bíblico do encontro com Deus. Por certo, Jesus conversava com o Pai acerca da escolha que faria ao amanhecer, convocando os Doze como colunas de sua Igreja. E um deles foi Judas Iscariotes…

Será que Deus se enganou? Será que o Filho ouviu mal as indicações do Pai? Teria havido um lamentável engano?
Claro que não! Tal como Pedro, Tiago e João, os três apóstolos que deram a vida por seu Mestre, também Judas Iscariotes trazia esse mesmo potencial apostólico e a mesma missão evangelizadora. Por que, então, acabaria tragicamente como traidor? Mistério profundo! Nada que a mente humana possa avaliar com exatidão. Mistério, porém, que diz respeito a cada um de nós…

Os exegetas acreditam que Judas Iscariotes fosse um dos dois ex-guerrilheiros (cf. “duas espadas”, Lc 2,38) que acompanhavam Jesus. Teria Judas a esperança de “usar” o prestígio e a força de Jesus para um projeto de libertação militar e social do povo judeu dominado pelos romanos? E teria sido dominado pela decepção quando Jesus demonstra claramente que seu “Reino” era de outra ordem?

Em latim, o mesmo verbo “tradere” se traduz por “entregar” e “trair”. Ainda que Judas fosse venal e escravo do dinheiro (cf. Jo 12,6), convenhamos que 30 moedas – o preço de um escravo! – era muito pouco para mudá-lo em traidor de um Mestre que já demonstrara sua estatura sobre-humana em curas e milagres. Existe aí algo que ultrapassa nosso humano entendimento. O mistério permanece…

Também nós temos sido testemunhas de grandes feitos do Senhor. Temos contemplado a ação surpreendente de sua Graça na vida dos santos. Temos admirado a fé de tantos mártires que testemunharam com o próprio sangue sua adesão a Cristo. Mesmo em nossa vida pessoal Deus tem demonstrado sua presença de forma admirável. Não bastam estes “sinais” para que nossa fidelidade permaneça até o fim?

Em nota, a Bíblia de Navarra comenta: “A traição de um íntimo é muito mais dolorosa e cruel que a de um estranho, porque supõe uma falta de lealdade. Também a vida espiritual do cristão é verdadeira amizade com Cristo, por isso assenta sobre a lealdade, a honradez e a fidelidade à palavra dada”.

Nos momentos difíceis, que nosso amor não desfaleça…

Orai sem cessar: “Senhor, não me deixes desviar de teus preceitos!” (Sl 119,10)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.