DIA 19 DE JANEIRO – SEGUNDA-FEIRA

Evangelho (Marcos 2,18-22)

2 18 Ora, os discípulos de João e os fariseus jejuavam. Por isso, foram-lhe perguntar: “Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam?”
19 Jesus respondeu-lhes: “Podem porventura jejuar os convidados das núpcias, enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo, não lhes é -possível jejuar.
20 Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então jejuarão.
21 “Ninguém prega retalho de pano novo em roupa velha; do contrário, o remendo arranca novo pedaço da veste usada e torna-se pior o rasgão.
22 E ninguém põe vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho os arrebentará e perder-se-á juntamente com os odres mas para vinho novo, odres novos.”

Palavra da Salvação

Meditando a Palavra

O sábado foi feito para o homem… (Mc 2,23-28)

Os grandes conglomerados, as empresas transnacionais, os barões da Bolsa de Valores não suportam mais a ideia de perder um dia na semana para que o homem descanse. Não admira que muitos ofícios e funções sejam transferidos para as máquinas: elas não precisam de sábados; se quebrarem, trocam-se as peças; se fundirem, vão para o lixo…

No tempo de Jesus, em ambiente regido pela Lei Mosaica, o shabbat correspondia ao 7º dia da semana, quando o Criador havia descansado (cf. Gn 2,2). Mas esta parada no trabalho (ainda hoje, em Israel, a palavra shabbat é sinônimo de “greve”) não atende às necessidades de Deus, pois o Criador não se cansa: é o homem quem precisa de uma pausa semanal. Para quê? Para se recuperar… para viver a família… para mostrar que não é escravo, mas exercitar a liberdade dos filhos de Deus…

A primeira interdição do sábado judaico dizia respeito aos trabalhos da colheita, exatamente o gesto ocasional dos discípulos famintos que atravessavam um trigal em dia de preceito. Acusados pelos observadores, são defendidos pelo Mestre com este princípio admirável: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”.

Günther Dehn [1882-1970] comenta: “Os adversários de Jesus devem ter visto aí uma espantosa blasfêmia. Quem pode evocar um objetivo humano e terrestre quando se trata de um sagrado mandamento divino? Jesus deve ter parecido um libertino que ousava criticar os mandamentos de Deus ao sabor de suas próprias ideias ou preferências. No entanto, estas palavras são verdadeiramente as de um piedoso israelita que sabe que Deus é um Deus de salvação”.

Em pauta, o legalismo de muitos religiosos: cumprir cegamente o que está escrito, independentemente da situação humana. Este erro foi combatido por outro judeu, o apóstolo Paulo de Tarso. “Paulo – prossegue Günther Dehn – viu essencialmente na Lei o patrão severo e duro imposto aos homens por causa de seus pecados, e que os mantém fortemente sob seu punho. Jesus reconhece também outro aspecto: a Lei não é apenas dever e constrangimento, ela também é dom. O sábado fora dado por Deus aos homens para sua salvação e, justamente por ser um dom, é permitido usá-lo livremente. Dizer que o sábado é feito para o homem não significa fixar arbitrariamente as leis de nossa vida, mas, antes, enquanto homem cumulado pela livre graça de Deus, querer somente usar desta liberdade com gratidão e humildade.”

Em tempo – e antes de outras contestações -, Aquele que escreveu a Lei tem o direito de reformá-la a qualquer momento. E esse humilde aprendiz de carpinteiro que palmilhava as estradas da Palestina era, nada mais, nada menos, o próprio Legislador dos princípios: o Verbo de Deus.

Orai sem cessar: “Quem ama a tua lei, Senhor, tem muita paz!” (Sl 119,165)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.