DIA 16 DE JANEIRO – SEXTA-FEIRA

Evangelho (Marcos 2,1-12)

2 1 Alguns dias depois, Jesus entrou novamente em Cafarnaum e souberam que ele estava em casa.
2 Reuniu-se uma tal multidão, que não podiam encontrar lugar nem mesmo junto à porta. E ele os instruía.
3 Trouxeram-lhe um paralítico, carregado por quatro homens.
4 Como não pudessem apresentar-lho por causa da multidão, descobriram o teto por cima do lugar onde Jesus se achava e, por uma abertura, desceram o leito em que jazia o paralítico.
5 Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: “Filho, perdoados te são os pecados.”
6 Ora, estavam ali sentados alguns escribas, que diziam uns aos outros:
7 “Como pode este homem falar assim? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão Deus?”
8 Mas Jesus, penetrando logo com seu espírito tios seus íntimos pensamentos, disse-lhes: “Por que pensais isto nos vossos corações?
9 Que é mais fácil dizer ao paralítico: Os pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?
10 Ora, para que conheçais o poder concedido ao Filho dó homem sobre a terra (disse ao paralítico),
11 eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para casa.”
12 No mesmo instante, ele se levantou e, tomando o. leito, foi-se embora à vista de todos. A multidão inteira encheu-se de profunda admiração e puseram-se a louvar a Deus, dizendo: “Nunca vimos coisa semelhante.”

Palavra da Salvação

Meditando a Palavra

Teus pecados são perdoados… (Mc 2,1-12)

Não é coisa nova: já em 1948, o Papa Pio XII nos dizia que o grande pecado do século consistia exatamente na perda do sentido do pecado. E tinha razão! Um espírito belicoso é elogiado como comportamento competitivo. Ganância e usura são chamadas de poupança. A pessoa despudorada é elogiada como “sexy”. O homem sóbrio é condenado como “sem ambições”. A jovem pura é “quadrada”. A dedicada esposa-mãe, uma “escrava”…

Lamentável inversão de valores: o bem rotulado de mal; o mal mascarado de bem. Perdeu-se a noção de que nossos atos e escolhas refletem sobre os outros, podendo semear alegria ou tristeza, luz ou sombra, vida ou morte.

E o pior de tudo: se não reconheço meus pecados, como ser perdoado? Se considero meus erros como atitudes “naturais” (aliás, todo mundo faz…), atribuindo meus vícios a propensões genéticas, como me arrepender e mudar de vida?

No Evangelho de hoje, quatro amigos realizam notável esforço para conduzir o amigo paralítico cara a cara com Jesus. Por certo, já conheciam do Nazareno a fama de terapeuta e, movidos de fé e amizade, contavam com a cura do enfermo. Para sua surpresa, no entanto, Jesus segue um roteiro diferente, dizendo: “Filho, teus pecados são perdoados!” (Mc 2,5)

Conforme anota o teólogo Hébert Roux, é a primeira vez que vemos Jesus a perdoar pecados de alguém, trazendo à luz do sol um novo aspecto da Boa Nova. E chama o paralítico de “meu filho”! Segundo Roux, esta palavra não significa um encorajamento banal, mas a acolhida de um pai para seu filho ferido pela culpa. E uma acolhida assim reacende esperanças como brasas sob a cinza…

Aos olhos humanos, nada aconteceu, pois o enfermo continua preso à sua maca. Só uma fé profunda pode ir além das aparências. Os escribas, ao lado, condenam como blasfêmia a frase de Jesus, pois só Deus tem o poder perdoar pecados. Será que Jesus tem tal poder?

Exatamente porque duvidam, eles condenam.

Jesus aceita o desafio. Vai mostrar que pode curar o corpo, de modo visível, assim como cura a alma de modo invisível. E logo o milagre vem confundir em definitivo a falta de fé dos adversários. Jesus vem juntar ao perdão dos pecados a devolução da mobilidade física, para espanto de todos. Claro, trata-se de um sinal: a cura que se vê, confirma a cura que não se vê. Ergue-se o paralítico, carrega a sua maca e deixa para trás os seus pecados.

É uma pena que tantos pregadores fujam do binômio pecado/perdão… Pena que o precioso sacramento da misericórdia – a confissão – seja praticamente esquecido… Pena que não deixemos Jesus Cristo perdoar nossos pecados e mobilizar outra vez nossos membros paralíticos…

Orai sem cessar: “Feliz aquele cuja culpa é cancelada!” (Sl 32,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.