DIA 15 DE JANEIRO – QUINTA-FEIRA

Evangelho (Marcos 1,40-45)

1 40 Aproximou-se de Jesus um leproso, suplicando-lhe de joelhos: “Se queres, podes limpar-me.”
41 Jesus compadeceu-se dele, estendeu a mão, tocou-o e lhe disse: “Eu quero, sê curado.”
42 E imediatamente desapareceu dele a lepra e foi purificado.
43 Jesus o despediu imediatamente com esta severa admoestação:
44 “Vê que não o digas a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e apresenta, pela tua purificação, a oferenda prescrita por Moisés para lhe servir de testemunho.”
45 Este homem, porém, logo que se foi, começou a propagar e divulgar o acontecido, de modo que Jesus não podia entrar publicamente numa cidade. Conservava-se fora, nos lugares despovoados; e de toda parte vinham ter com ele.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Podes limpar-me! (Mc 1,40-45)

Como sempre foi ao longo dos séculos, era terrível a situação dos leprosos nos tempos de Jesus. Comenta a Bíblia de Navarra: “Na lepra via-se um castigo de Deus (cf. Nm 12,10-15). O desaparecimento dessa doença era considerado como uma das bênçãos da época messiânica (Is 35,8; Mt 11,5; Lc 7,22). Ao doente de lepra, pelo caráter contagioso dessa doença, a Lei tinha-o declarado impuro e transmissor de impureza àquelas pessoas que tocava, ou àqueles lugares em que entrava. Por isso tinha de viver isolado (Nm 5,2; 12,14ss) e mostrar, por um conjunto de sinais externos, a sua condição de leproso.”

Mas existe uma lepra ainda pior! A ruína e a degeneração que o pecado produz em nós supera de longe as deformações da lepra. Afinal, pelo sacramento do Batismo, nós fomos configurados com Cristo, lavados da culpa original, recebendo a face do Filho e a habitação do Espírito Santo. Quando optamos pelo pecado, desfiguramos essa imagem e maculamos o templo de Deus em nós.

Todo pecado é lepra: rói, deforma, corrói. Desfigura o pecador. Pense na avareza, que leva o médico a fazer da medicina apenas um meio de ganhar dinheiro. Veja como o pobre não merece sua atenção. Veja como pergunta ao virtual consulente se ele tem dólares para pagar pela cirurgia de sua esposa. E como se presta a fazer abortos assassinos, desde que lhe paguem por isso…

Pense na luxúria, que leva o homem a comprar o corpo da mulher. A olhar para toda mulher que passa com um olhar que é, em resumo, um despir. Veja como ninguém escapa de sua gula assassina, nem a criancinha indefesa. Como ele aluga filmes pornô e acumula em seu computador centenas de fotos obscenas, sem perceber que emporcalha sua alma e se rebaixa a um nível sub-humano. Sem amor, o sexo o esvazia sempre mais de toda ternura e toda delicadeza…

E a ambição, que move o político a trocar tudo pelo poder, a aceitar qualquer negociata, qualquer ato de corrupção, desde que isso lhe permita manter-se em posição de mando. Ambição que leva o empresário a explorar a mão-de-obra do pobre, fazendo-o escravo ou pagando-lhe salário de fome…

E todos os leprosos podem ser limpos de seu pecado. Um ladrão, crucificado ao lado de Jesus, iria reabrir o paraíso (Lc 23,43). O Saulo odioso e violento seria o novo Paulo a anunciar a salvação estendida aos pagãos. O Agostinho pecador viria a ser o cantor da misericórdia e da graça de Deus.

Do fundo do poço, revestido de lepra, o pecador se volta para Cristo num ato de fé: “Se queres, podes limpar-me…” Ele responde: “Eu quero! Sê limpo!”

Orai sem cessar: “Purifica-me, Senhor, do meu pecado!” (Sl 51,4)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.