DIA 13 DE MARÇO – SEXTA-FEIRA

Evangelho (Marcos 12,28-34)

Naquele tempo, 12 28 achegou-se dele um dos escribas que os ouvira discutir e, vendo que lhes respondera bem, indagou dele: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?”
29 Jesus respondeu-lhe: “O primeiro de todos os mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor;
30 amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças.
31 Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe”.
32 Disse-lhe o escriba: “Perfeitamente, Mestre, disseste bem que Deus é um só e que não há outro além dele.
33 E amá-lo de todo o coração, de todo o pensamento, de toda a alma e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, excede a todos os holocaustos e sacrifícios”.
34 Vendo Jesus que ele falara sabiamente, disse-lhe: “Não estás longe do Reino de Deus”. E já ninguém ousava fazer-lhe perguntas.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Amarás o Senhor, teu Deus! (Mc 12,28b-34)

Até os poetas sabem que é vão falar de amor. Na tentativa de defini-lo, as palavras se mostram ocas, chochas, vazias de sentido. Até nosso amor a Deus se transforma pobremente em oração. Rezemos, pois, com Santo Agostinho, uma prece de suas “Confissões”:

“O que não deixa dúvida, Senhor, e é uma certeza e minha consciência, é que eu te amo.

Tocaste meu coração com tua palavra e eu te amei.

Ademais, o céu e a terra e tudo o que neles existe, ei-los por toda parte a me dizerem para te amar; e eles não cessam de dizê-lo a todos os homens, a fim de que não tenham desculpa.

Mas o que é que eu amo, quando te amo? Não é a beleza de um corpo, nem seu encanto passageiro, nem a claridade da luz que meus pobres olhos tanto amam, nem as doces melodias das variadas cantilenas, nem a suave fragrância das flores, perfumes, aromas, nem o maná, nem o mel, nem os membros acolhedores aos abraços da carne.

Não, não é isto que eu amo, quando amo meu Deus.

No entanto, eu amo uma claridade, uma voz, um perfume, um alimento, um abraço, quando eu amo meu Deus.

É a claridade, a voz, o perfume, o abraço do homem interior que há em mim. Ali onde brilha para minha alma uma claridade que o espaço não segura, onde canta uma melodia que o tempo não carrega, onde exala um perfume que o vento não dissipa, onde se saboreia um prato que a voracidade não torna insípido, onde se prende um abraço que nenhuma saciedade desmancha. É isto que eu amo, quando amo meu Deus.

Mas, afinal, quem é esse Deus?

Eu interroguei a terra e ela me disse: ‘Não sou eu!’ E tudo o que existe nela me fez a mesma confissão.

Interroguei o mar e seus abismos, os seres vivos que ali se movem, e eles me responderam: ‘Não somos o teu Deus; busca-o acima de nós’.

Interroguei o céu, o sol, a luz e as estrelas, e todos me disseram: ‘Nem nós, não somos o Deus que tu procuras!’

E eu disse a todos os seres que assaltam as portas de meus sentidos: ‘Falai-me de Deus, já que não o sois! Dizei-me alguma coisa dele!’

E eles gritaram com voz poderosa: ‘Foi ele quem nos criou’.

Para os interrogar, eu tinha apenas de contemplá-los, e sua resposta era sua beleza.

Ó minha alma, é isto que te digo: teu Deus é para ti a vida de tua vida.”

Orai sem cessar: “Os céus narram a glória de Deus, o firmamento anuncia a obra de suas mãos.” (Sl 19,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.