DIA 13 DE JANEIRO – TERÇA-FEIRA

Evangelho (Marcos 1,21-28)

1 21 Jesus e seus discípulos dirigiram-se para Cafarnaum. E já no dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar.
22 Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.
23 Ora, na sinagoga deles achava-se um homem possesso de um espírito imundo, que gritou:
24 “Que tens tu conosco, Jesus de Nazaré? Vieste perder-nos? Sei quem és: o Santo de Deus!
25 Mas Jesus intimou-o, dizendo: “Cala-te, sai deste homem!”
26 O espírito imundo agitou-o violentamente e, dando um grande grito, saiu.
27 Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: “Que é isto? Eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; além disso, ele manda até nos espíritos imundos e lhe obedecem!”
28 A sua fama divulgou-se logo por todos os arredores da Galiléia.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Os espíritos impuros lhe obedecem… (Mc 1,21b-28)

Desde o Séc. XVIII, a onda racionalista inundou o mundo neopagão e chegou a infiltrar-se na própria Igreja. Aqui e ali, vozes dissonantes negam a existência de seres espirituais, como anjos e demônios. Membros da hierarquia se intimidam perante as teses de teólogos afastados da legítima Tradição bíblica e eclesial. E, no entanto, os demônios resistem…

Não no Evangelho, pois a simples presença do Filho de Deus os punha em debandada, retorcendo os possessos e invadindo os porcos (cf. Mc 1,26; 5,12-13). E Jesus – o mesmo que enfrentara tríplice combate espiritual no deserto (cf. Mc 1,12ss) – tem consciência de que esses adversários são realidades e sua derrota é sinal da chegada do Reino: “Se eu expulso [demônios] pelo Espírito de Deus, é porque já chegou até vós o Reino de Deus”. (Mt 12,28)

Neste Evangelho, a admiração geral é despertada exatamente pelo poder demonstrado pelo Filho do Carpinteiro sobre os espíritos impuros que se manifestavam no meio do povo escolhido na forma de possessões (cf. Lc 8,27), males físicos (cf. Mt 12,22) e espirituais (cf. Jo 13,27).
Macário do Egito [ca. 300-391 d.C.], monge e eremita, apelidado a “Luz do Deserto”, comenta o poder libertador de Jesus Cristo, posto à disposição dos homens: “Que ninguém diga: ‘para mim, é impossível amar o Bem único, pensar nele ou nele crer, pois me encontro sob a escravidão e as cadeias do pecado’. De fato, o poder de exercitar perfeitamente as obras da vida, de te arrancar do pecado que em ti habita (cf. Rm 7,17) e libertar-te por tuas próprias forças, isto não está em teu poder, pois o Senhor o reservou para si. Só ele tira o pecado do mundo (cf. Jo 1,29), foi ele quem prometeu libertar da escravidão do pecado e das paixões aqueles que o amam e nele creem; e aqueles que o Senhor liberta são verdadeiramente livres”.

“Mas refletir, crer, amar o Senhor ou procurá-lo – diz Macário – isto depende de ti, e disso és capaz, assim como não entrar em acordo com o pecado que habita em ti, nem com ele colaborar. Torna-te apenas tu mesmo a ocasião de tua própria vida, buscando o Senhor, pensando nele, amando-o e obedecendo-lhe, e ele te concederá a força e a libertação. É apenas isto que ele espera de ti.”

Basta ver o noticiário da TV para perceber a atuação abertamente escandalosa dos espíritos do mal, levando seus escravos a cometer os crimes mais degradantes para a condição humana. Para Macário, “a alma que caiu sob a escravidão e a autoridade da treva das paixões do pecado é oprimida pela febre da lei do pecado; ela é imobilizada e inibida em relação às obras da vida, as virtudes perfeitas do Espírito Santo, pois ela é incapaz de cumpri-las de modo irreprochável; mas nada a impede de clamar pelo único médico, chamá-lo a seu socorro e recuperar a saúde. Dos homens, Deus só espera esta ocasião…”

Orai sem cessar: “Senhor, tu és meu auxílio e meu libertador!” (Sl 70,6b)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.