DIA 30 DE DEZEMBRO – TERÇA-FEIRA

Evangelho (Lucas 2,36-40)

Naquele tempo, 36 havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada.
37 Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.
38 Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.
39 Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré.
40 O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

E o Menino foi crescendo… (Lc 2,36-40)

Basta uma frase de São Lucas e… estamos diante do mistério. O Eterno se entrega ao tempo. O Imutável se transforma. A Plenitude cresce…

Sigamos o comentário do beneditino François Trévedy: “No estábulo de Belém, depois na oficina de Nazaré, o Deus feito homem, o Deus aprendiz-de-homem é primeiramente aprendiz do tempo. Ele se tece, trama-se longamente, lentamente, no obscuro, ou antes se deixa tecer por outras mãos às quais se confia. O pequeno Jesus – o imenso Jesus não é, no fundo, nem de cera, nem de gesso, nem de terracota: ele é de carne modelada na primavera. Crescer é toda a sua história e toda a sua vida oculta; uma vida que não tem parada, através de sua própria ressurreição em pleno dia, pois ela prossegue seu curso obscuro em nós, que estamos ‘escondidos nele’ (cf. Cl 3,3)”.

O “crescimento” do Filho de Deus nascido de Mulher lança nova luz sobre todos os nascidos de mulher: nós somos criados para crescer.

Acima e além de toda visão meramente evolucionista, não somos apenas primatas cujo organismo se aperfeiçoa e especializa. No âmago de nosso ser foi injetado um impulso vital, um Sopro criador que nos atrai para altitudes e infinitudes fora do alcance de qualquer outra criatura no Cosmo: crescer em estatura, sabedoria e graça, até a medida do próprio Filho encarnado.

Este magnetismo que atrai cada pessoa na direção de Cristo, nosso ponto de chegada, atrai igualmente a Igreja, Corpo de Cristo, que sempre cresce ao fogo de Pentecostes. Trévedy observa:

“O Menino crescia… Lucas, autor dos Atos bem como do Evangelho, não terá outro refrão quando falar dos começos da Igreja, comprazendo-se em observar – com visão de médico – também o crescimento dela (cf. At 2,41.47; 5,14; 6,1.7). Algo espantoso? Sobre Ele e sobre nós, não é o mesmo Ser vivo que se faz e se desenvolve como um único Homem? A Igreja não é excrescência de Jesus, mas seu talhe, sua estatura infinitamente expansiva, pois também pertence somente à ordem do Espírito – o Espírito de Jesus – que o Progresso, deixando enfim de ser um mito, se torne mistério e realidade.”

O Menino crescia… A Igreja crescia. Ficaríamos estacionados no ponto a que chegamos? Satisfeitos com a atual medida da Graça? Ou o Espírito nos chama a crescer mais e mais, “à estatura do Cristo em sua plenitude” (Ef 4,13) ?

Orai sem cessar: “O justo crescerá como a palmeira…” (Sl 92,13)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.