DIA 18 DE NOVEMBRO – TERÇA-FEIRA

Evangelho (Lucas 19,1-10)

19 1 Jesus entrou em Jericó e ia atravessando a cidade.
2 Havia aí um homem muito rico chamado Zaqueu, chefe dos recebedores de impostos.
3 Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, porque era de baixa estatura.
4 Ele correu adiante, subiu a um sicômoro para o ver, quando ele passasse por ali.
5 Chegando Jesus àquele lugar e levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: “Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa”.
6 Ele desceu a toda a pressa e recebeu-o alegremente.
7 Vendo isto, todos murmuravam e diziam: “Ele vai hospedar-se em casa de um pecador”.
8 Zaqueu, entretanto, de pé diante do Senhor, disse-lhe: “Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo”.
9 Disse-lhe Jesus: “Hoje entrou a salvação nesta casa, porquanto também este é filho de Abraão”.
10 Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Devo ficar na tua casa… (Lc 19,1-10)

Este Evangelho, exclusivo de São Lucas, tem como foco exatamente a alegria da conversão. Como pano de fundo, a certeza de que a condição humana é um processo de transformação: nunca somos; sempre estamos. Por isso mesmo, erramos gravemente na tentativa de cristalizar em seu erro o criminoso, ignorando a possibilidade de ser regenerado pela Graça.

Dirigindo-se a Zaqueu, o cobrador de impostos pendurado no galho de uma árvore, Jesus o chama para baixo – “Desce depressa!” (Lc 19,5) – porque chegara a hora de levá-lo para cima. Decaído pela profissão desprezada por seus compatriotas, corrompido pela ânsia do lucro, qualquer rótulo que colemos em sua testa ainda será uma injustiça de nossa parte, pois Jesus está disposto a regenerá-lo.
“Devo ficar na tua casa!” Seria assim – como um dever – que Jesus encara o encontro com Zaqueu? Parece que sim. Um dever de amor. O amor gera deveres, impele ao encontro, tece compromissos.

Ouçamos o comentário de Urs von Balthasar: “É um quadro singular que nos esboça o Evangelho: o homem muito rico que sobe a uma árvore para ver Jesus. Como chefe dos coletores de impostos, ele é considerado um grande pecador, mas é justamente em sua casa que Jesus quer ser recebido. E Jesus sabe que em toda parte aonde chega, ele traz a Graça consigo.

‘Hoje chegou a salvação para esta casa.’ E isto ‘porque o Filho do homem veio procurar e salvar aquele que estava perdido’. Ele é recebido em casa de Zaqueu porque havia ali alguma coisa a salvar. Certamente, não porque ali fossem executadas boas obras a serem recompensadas, mas porque Zaqueu, ‘também ele, é um filho de Abraão’ que não deve ser excluído da fidelidade e do amor de Deus.

Inútil, pois, procurar saber se, quando Zaqueu assegura que ele ‘dá metade de seus bens aos pobres’, esta declaração se relaciona a alguma coisa anterior, ou se é apenas consequência da Graça que lhe foi manifestada. O evangelista não se interessa por este problema, mas unicamente pela salvação que Jesus traz àquela casa.

É bom saber que ele também entra em casa de gente muito rica quando a salvação cristã deve chegar a eles. A beatitude dos pobres não deve ser interpretada sociologicamente, mas teologicamente. Há pobres que são ricos em espírito (espírito de cobiça), e existem ricos que são pobres em espírito (espírito de serviço, graças a seus bens).”

Orai sem cessar: “Deste mais alegria ao meu coração!” (Sl 4,8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.