DIA 12 DE MARÇO – QUINTA-FEIRA

Evangelho (Lucas 11,14-23)

11 14 Jesus expelia um demônio que era mudo. Tendo o demônio saído, o mudo pôs-se a falar e a multidão ficou admirada.
15 Mas alguns deles disseram: Ele expele os demônios por Beelzebul, príncipe dos demônios.
16 E para pô-lo à prova, outros lhe pediam um sinal do céu.
17 Penetrando nos seus pensamentos, disse-lhes Jesus: Todo o reino dividido contra si mesmo será destruído e seus edifícios cairão uns sobre os outros.
18 Se, pois, Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que expulso os demônios por Beelzebul.
19 Ora, se é por Beelzebul que expulso os demônios, por quem o expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes!
20 Mas se expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado a vós o Reino de Deus.
21 Quando um homem forte guarda armado a sua casa, estão em segurança os bens que possui.
22 Mas se sobrevier outro mais forte do que ele e o vencer, este lhe tirará todas as armas em que confiava, e repartirá os seus despojos.
23 Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Casa sobre casa… (Lc 11,14-23)

A profecia de Jesus fala de uma derrocada geral. Tal como ele previu para o imponente Templo de Jerusalém – “não ficará pedra sobre pedra” -, o mesmo vale para toda instituição dividida em si mesma: “cairá casa sobre casa”. No ano 70 d.C., as legiões de Tito, filho de Vespasiano, sitiaram Jerusalém, derrubaram suas muralhas e incendiaram o Templo, do qual restaria apenas um muro para recolher as lágrimas salgadas de Israel: o “Muro das Lamentações”.

Ao longo da História, muitas outras construções famosas atingiram brilho e fama para, logo após, vítimas da divisão entre os homens, experimentarem derrocada semelhante. Pareciam a todos instituições inexpugnáveis – o Império Romano, a Casa d’Áustria, o exército de Hitler, a União Soviética – e foram roídas pela ambição e pelo ódio, pela corrupção dos costumes e pela tirania.

Hoje, os Estados Unidos ainda são o grande império do momento, mas já vêm dando mostras de uma ruína inevitável: crescimento da miséria, imigração descontrolada, proliferação de dependentes de drogas, corrupção moral, crescente endividamento externo, além de serem o alvo preferencial do ódio de grupos islâmicos que veem a nação norte-americana como o símbolo do mal.

Também a Igreja de Jesus sofre efeitos da divisão. Também seus muros apresentam trincas que merecem preocupação. Ao longo dos séculos, a Igreja sofreu com as perseguições e heresias, mas o Espírito de Deus a manteve de pé. Depois, vieram cismas, a separação da Igreja do Oriente (culpados de ambos os lados, é verdade!) e a Reforma protestante, com as lamentáveis “guerras de religião”.

Ainda hoje, de um lado e de outro, existem cristãos que se acham no direito de odiar quem está na outra margem. Entretanto, a oração de Jesus aponta para outra direção: “Pai, que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste. […] Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade, e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim.” (Jo 17,21.23.)

Na Encíclica “Ut Unum Sint” [1995], o Papa João Paulo II mostrava os caminhos para chegar à unidade: a oração, a ação de graças e a esperança. A oração como anelo pela unidade. A ação de graças “porque não nos apresentamos com as mãos vazias”. A esperança, porque a unidade é dom do Espírito Santo. (UUS, 102)
Minha vida contribui para a unidade e a fraternidade dos homens?

Orai sem cessar: “O Senhor congrega os dispersos de Israel.” (Sl 147,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.