DIA 26 DE MARÇO – QUINTA-FEIRA

Evangelho (João 8,51-59)

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: 8 51 “Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, não verá jamais a morte”.
52 Disseram-lhe os judeus: “Agora vemos que és possuído de um demônio. Abraão morreu, e também os profetas. E tu dizes que, se alguém guardar a tua palavra, jamais provará a morte.
53 És acaso maior do que nosso pai Abraão? E, entretanto, ele morreu e os profetas também. Quem pretendes ser?”
54 Respondeu Jesus: “Se me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; meu Pai é quem me glorifica, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus
55 e, contudo, não o conheceis. Eu, porém, o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria mentiroso como vós. Mas conheço-o e guardo a sua palavra.
56 Abraão, vosso pai, exultou com o pensamento de ver o meu dia. Viu-o e ficou cheio de alegria”.
57 Os judeus lhe disseram: “Não tens ainda cinqüenta anos e viste Abraão!”
58 Respondeu-lhes Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão fosse, eu sou”.
59 A essas palavras, pegaram então em pedras para lhas atirar. Jesus, porém, se ocultou e saiu do templo.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Eu sou! (Jo 8,51-59)

Um dos sentidos do verbo “ser” está ligado à essência da pessoa. Todas as criaturas existem porque foram chamadas à vida pelo Criador. Só Deus, porém, pode dizer “eu sou” de forma radical e absoluta, pois só Deus “existia antes de todos os séculos”. Em seu magnífico prólogo, o evangelista João fala de Jesus Cristo, Verbo de Deus: “No princípio, era o Verbo […] e o Verbo era Deus! […] Tudo começou a existir por meio dele, e sem Ele nada se fez do que foi feito.” (Jo 1,1.3)

Nós, diferentemente, “somos” apenas a partir de nossa fecundação. Esta existência terrestre dura um tempo e se acaba, com nossa alma espiritual projetada na eternidade. Até os poetas líricos já perceberam que nosso “ser” passa, dura muito pouco. Assim, a Sagrada Escritura compara nossa existência à flor do campo ou à erva dos telhados, que fenecem e murcham ao fim de um único dia. Só Deus é eterno. Só Deus “é” de modo absoluto. Só Deus existe por si mesmo.

Não admira que, ao se apresentar a Moisés, no episódio da sarça ardente (Ex 3), o Senhor Deus assim lhe desse o seu Nome: “EU SOU”. O termo hebraico que traduzimos por Javé é, na verdade, uma sequência de 4 grafemas impronunciáveis (YHWH), derivada de antiga forma do verbo hawah (ser, ser atuante – diz a TEB). Para os hebreus da Primeira Aliança, este era o “nome” de Deus.

Ora, no Evangelho de hoje, Jesus Cristo se define exatamente com a mesma expressão: “Antes de Abraão existir, EU SOU!” É por isso que, entendendo sua frase como autêntica blasfêmia, seus ouvintes de pronto apanharam pedras para o lapidar. Uma leitura atenta dos Evangelhos virá nos revelar que Jesus insinuou a mesma definição em várias outras passagens, o que manifesta a consciência de sua unidade com o Pai, a consciência de ser algo mais que um simples mortal.

A nota da Bíblia de Jerusalém para Jo 8,24, comenta: “Atribuindo este nome a si mesmo – EU SOU -, Jesus se apresenta como o único e verdadeiro Salvador, para o qual tendiam a fé e a esperança de Israel (cf. Jo 8,28.58; 13, 19) e também Jo 6,35; 18,5.8).”

Nesta última passagem do Evangelho, no momento de sua prisão no Jardim das Oliveiras, diante dos guardas que procuravam prendê-lo, Jesus se entrega dizendo: SOU EU! E, diante do Nome de Deus, os soldados caem por terra… Era o mesmo nome que fazia tremer os demônios!

Jesus “é”. Afinal, recusar Jesus como Salvador significa dizer: “NÃO ÉS!” E assim começa o inferno…

Orai sem cessar: “O Senhor é nosso Rei, ele nos salvará!” (Is 33,22)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.