DIA 20 DE MARÇO – SEXTA-FEIRA

Evangelho (João 7,1-2.10.25-30)

Naquele tempo, 7 1 depois disso, Jesus percorria a Galiléia. Ele não queria deter-se na Judéia, porque os judeus procuravam tirar-lhe a vida.
2 Aproximava-se a festa dos judeus chamada dos Tabernáculos.
10 Mas quando os seus irmãos tinham subido, então subiu também ele à festa, não em público, mas despercebidamente.
25 Algumas das pessoas de Jerusalém diziam: “Não é este aquele a quem procuram tirar a vida?
26 Todavia, ei-lo que fala em público e não lhe dizem coisa alguma. Porventura reconheceram de fato as autoridades que ele é o Cristo?
27 Mas este nós sabemos de onde vem. Do Cristo, porém, quando vier, ninguém saberá de onde seja”.
28 Enquanto ensinava no templo, Jesus exclamou: “Ah! Vós me conheceis e sabeis de onde eu sou! Entretanto, não vim de mim mesmo, mas é verdadeiro aquele que me enviou, e vós não o conheceis.
29 Eu o conheço, porque venho dele e ele me enviou”.
30 Procuraram prendê-lo, mas ninguém lhe deitou as mãos, porque ainda não era chegada a sua hora.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Aquele que vós não conheceis… (Jo 7,1-2.10.25-30)

Jesus está falando do Pai. O Filho conhece o Pai. Foi o Pai quem o enviou aos homens, como portador de uma mensagem de amor e de esperança para a humanidade, cordeiro inocente para o sacrifício. E é dura de ouvir a sua afirmação: “Vocês não conhecem Aquele que me enviou…”

E nós? Conhecemos a Deus?

Na Bíblia, o verbo “conhecer” tem ressonâncias que vão muito além da mera informação, da coleta de dados, do contato com a realidade, da análise dos fatos. “Conhecer” lembra antes a intimidade conjugal, quando o homem “conhece” sua esposa. (Cf. Gn 4,1; Lc 1,34.)

Séculos após Voltaire, ainda há quem pense em Deus como o “grande relojoeiro”, aquele ser distante que montou a engrenagem do Universo e cuida de seu mecanismo, uma espécie de engenheiro de operações para supervisionar a sequência dos dias e das noites? Será que isto é conhecer a Deus?

Herdeiro dos velhos jansenistas, há quem imagine Deus como um policial de plantão, de olho na gente, pronto a intervir com a punição e o castigo adequado a cada transgressão da Lei. Será que isto é conhecer a Deus?

Há também no meio do povo quem se lembre de Deus exclusivamente na hora das dificuldades, quando as coisas escaparam totalmente de nosso controle humano; então, como quem se vale da varinha mágica ou do gênio da lâmpada, recorremos ao “poder superior” sempre pronto a quebrar nossos galhos e atender às nossas veleidades. Será que isto é conhecer a Deus?

Ainda há, enfim, quem se utilize de Deus como uma espécie de espada suspensa no teto, com a qual se torna possível fazer que crianças arteiras andem na linha: “Papai do Céu não gosta de menino que faz coisa feia!” Não admira que as crianças cresçam e evitem toda aproximação desse deus-ameaçador! Será que isto é conhecer a Deus?

E pensar que Jesus, o Filho, veio a este mundo para sinalizar o amor do Pai! Para nos revelar a verdadeira face de Deus: um rosto de Pai, solidário com nossa dor, atento à nossa fome, beijando o filho pródigo, alimentando as aves do céu e vestindo de ouro os lírios do campo!
E Jesus, a suspirar bem fundo: “Se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem!” (Lc 11,13.)

Orai sem cessar: “Senhor, mostra-nos o Pai!” (Jo 14,8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.