29/04/2015

Eu vim como luz… (Jo 12,44-50)

O grande drama da humanidade transparece no Prólogo do Evangelho de S. João: “O Verbo era a luz verdadeira… Veio para o que era Seu, e os Seus não o acolheram”. É a história de uma terrível recusa, de uma fatal opção pelas trevas e pela morte definitiva.

E seria muito cômodo para nós aplicar esta recusa apenas ao povo que viveu no tempo de Jesus, como se nós não estivéssemos sujeitos ao mesmo risco. Pelo contrário, depois de vinte séculos de cristianismo, nós conhecemos melhor do que eles o Caminho a ser trilhado. Por isso mesmo, nossa eventual rejeição da luz que o Pai nos oferece em Jesus seria muito mais grave. Nossa responsabilidade, muito mais séria.

Um pregador famoso lembrava que as casas noturnas usam “luz negra” em seus ambientes exatamente para que o mal ali praticado e o clima de licenciosidade não venham à luz. Nota-se a opção pelas trevas. Pelo mesmo motivo, os malfeitores quebram as lâmpadas das ruas: querem liberdade para praticar o mal sem serem identificados e penalizados.

Mas há formas ainda mais “refinadas” de optar pelas trevas. Contestar o ensino do Magistério eclesial e deliciar-se com a leitura de livros que caluniam a Igreja de Jesus, aí está a recusa da luz. Assistir a programas de TV que zombam dos bons costumes e fazem propaganda da libertinagem, dando audiência à catequese dos pagãos, eis a opção pelas trevas. Explorar a mão-de-obra dos empregados, desviar as verbas do Governo, corromper seus funcionários – aí está o dedo do príncipe das trevas.

O cristão opta pela luz. E não se limita a estacionar em uma linha limítrofe, próxima ao país das sombras. Antes, se esforça por mergulhar na luz, mais e mais, identificando-se pouco a pouco com o modelo luminoso de seu Mestre, que veio “como luz ao mundo”.

Estar na luz é amar. S. João alerta: “Aquele que diz estar na luz, e odeia a seu irmão, jaz ainda nas trevas”. (1Jo 2,9.)

Que passos eu devo dar, em meu dia-a-dia, para me afastar em definitivo de um mundo de trevas?

Orai sem cessar: “O Senhor é minha luz e minha salvação.” (Sl 27,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança