Eu sou a luz do mundo! (Jo 8,12-20)

O 4º Evangelho é todo transfigurado pela imagem da luz. Desde seu prólogo, onde João registra que o Verbo era a vida que ilumina os homens, e essa luz brilhou nas trevas, vemos que a presença de Jesus entre os homens devolve a visão aos cegos e se projeta no Apocalipse, quando a Nova Jerusalém dispensará a luz do sol e da lua, iluminada pela glória de Deus (cf. Ap 21,23).

Além da luz material propriamente dita – a primeira criatura chamada a existir (cf. Gn 1,3) -, os Padres da Igreja se referem à “luz incriada”, que é o próprio Verbo eterno, luz que as trevas não puderam envolver. Se essa luz se ausentasse, o Cosmo retornaria ao caos. É essa luz divina que aparece como um nimbo a envolver a figura dos santos e, igualmente, nas tonalidades do ouro, serve de pano de fundo para os notáveis ícones das Igrejas do Oriente. De fato, ela se manifesta como uma presença divina, uma Graça atuante em todas as criaturas.

Um dos termos paulinos para designar o batismo cristão é exatamente a palavra “iluminação” [photísmos], quando o cristão é dado à luz, em novo nascimento. Do paganismo ao cristianismo, passa-se das trevas para a luz. Na Vigília Pascal, quando os catecúmenos eram batizados, recebiam a luz de Cristo [lumen Christi] representada no círio pascal. Igualmente, em nossos sacrários, uma lâmpada perene recorda a presença de Cristo no pão consagrado.

Mas é especialmente através do cristão amoroso que a luz de Cristo se mostra à humanidade. Sem essa irradiação vital, a face de Cristo permanece oculta aos olhos do mundo. O Papa Francisco escreve em sua recente Carta apostólica:

“O amor às pessoas é uma força espiritual que favorece o encontro em plenitude com Deus, a ponto de se dizer, de quem não ama o irmão, que ‘está nas trevas e nas trevas caminha’ (1Jo 2,11), ‘permanece na morte’ (1Jo 3,14) e ‘não chegou a conhecer a Deus’ (1Jo 4,8). Bento XVI disse que ‘fechar os olhos diante do próximo torna cegos também diante de Deus’, e que o amor é fundamentalmente a única luz que ‘ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir’. […] Cada vez que nos encontramos com um ser humano no amor, ficamos capazes de descobrir algo de novo sobre Deus. Cada vez que os nossos olhos se abrem para reconhecer o outro, ilumina-se mais a nossa fé para reconhecer a Deus. Em consequência disto, se queremos crescer na vida espiritual, não podemos renunciar a ser missionários”.. (EG, 272)

Não basta a luz da razão para encontrar a salvação. Dependemos radicalmente de Cristo, a luz do mundo. Sua Palavra é lâmpada para nossos pés…

Orai sem cessar: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz…” (Is 9,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.