Essa alegria, ninguém vos tirará! (Jo 16,20-23a)

Nós já experimentamos, em nossa vida, muitas alegrias passageiras. Em um Domingo de Páscoa, celebrávamos em Rio Pomba, MG, o batizado de nossa quinta netinha, Gabriela Maria. No final da cerimônia, seu irmão mais velho, Gabriel, do alto de seus 3 aninhos, chorava copiosamente porque alguém havia quebrado o seu brinquedo de plástico. Ganhara o brinquedo na véspera. Tinha durado apenas um dia…

Será por uma breve alegria dessas que estamos vivendo? Nosso suor e nosso trabalho visam tão somente a uma recompensa que dura um dia? Ou, ao contrário, alimentamos uma sede de eternidade? O Apóstolo Paulo nos fala de prêmios bem mais substanciais: “Nas corridas de um estádio, todos correm, mas bem sabeis que um só recebe o prêmio. Correi, pois, de tal maneira que o consigais. Todos os atletas se impõem muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível”. (1Cor 9, 24-25.)

Uma vida pode ser desperdiçada em ninharias. Pequenos projetos de glória pessoal, de sucesso humano. Uma corrida louca para acumular posses e dinheiro. Dias passados em leves distrações, noites perdidas em joguinhos eletrônicos ou diante da tela da TV, com as emoções e os sentimentos agitados por novelas e filmes de ficção. Sem tempo de amar, de conviver com os filhos, de servir aos necessitados…

Por uma estrada assim sombria, o fim de nossa vida pode ser muito triste, quando se percebe que o tempo foi gasto de modo insano, entre trabalhos cansativos que só buscavam recompensas materiais e prazeres que se desfaziam como a névoa ao vento. Ao contrário, a proximidade da morte pode ser fonte de uma profunda paz, quando se percebe que a vida foi consumida a amar e a servir, a promover os irmãos, a educar os filhos, a edificar um Reino para Deus.

Só então, à luz da eternidade que se aproxima, chegamos a ter uma noção clara do valor do nosso tempo. E as sementes que semeamos entre lágrimas desabrocham, agora, em consoladora colheita de frutos celestes. É dessa alegria que Jesus nos fala, quando afirma que “ninguém nos arrebatará essa alegria”. Alegria que é fruto de uma vida vivida no Espírito Santo (cf. Gl 5, 22), e que vem de mãos dadas com a paz e a bondade.

De que maneira eu tenho empregado o tempo que Deus me deu? Estou semeando a eternidade?

Orai sem cessar: “Ensinai-nos, Senhor, a bem contar os nossos dias!” (Sl 90,12)]

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.