Escolheu e enviou… (Lc 10,1-12)

Dois verbos essenciais para nossa compreensão a respeito da missão. Em primeiro lugar, a infinita liberdade de Deus, que escolhe a quem ele bem entende, conforme seus desígnios de salvação para a humanidade. Em segundo lugar, a condição que dá legitimidade ao missionário: ter sido enviado.

Dois verbos com duas consequências: 1) ninguém tem o direito de questionar a escolha que Deus fez. Ele não leva em conta as honras de família, o poder econômico do clã, o brilho da inteligência pessoal. Não fosse assim, Jesus não teria convocado para apóstolos quatro pescadores, um cobrador de impostos, dois guerrilheiros e gente da mesma categoria. Deus vê diferente. 2) o chamado tem em vista a missão, isto é, existe uma tarefa a ser realizada, sem a qual o missionário teria falhado por completo.

Claro que isto reduz a zero as nossas preferências, nossos comodismos e até mesmo nossas pretensas habilidades pessoais. Um exemplo basta: Albert Schweitzer, de rica família, teólogo protestante, destacado organista e intérprete da obra musical de Johan Sebastian Bach, sente-se chamado por Deus para cuidar dos nativos do então Congo Belga. Diante da perspectiva da missão, ele concentra seus esforços em estudar medicina e, uma vez diplomado, vai para a África, implantando seu primeiro hospital em um galinheiro abandonado.

Humanamente falando, seus dons naturais e sua realidade social apontavam em outra direção, mas ele preferiu seguir a missão que Deus lhe apontava no íntimo do coração. Em 1952, Albert Schweitzer recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho no campo da medicina juntos aos nativos africanos. Isto é: até a sociedade dos homens vinha confirmar o chamado de Deus…

Alguém diria que, passados 60 anos, os nativos africanos continuam a morrer por falta de assistência médica, às voltas com a AIDS, as epidemias do Ebola e da Febre do Rio. É verdade. E sabem por quê? Porque são muitos os chamados, e poucos os escolhidos. Muita gente ouviu o mesmo chamado que Schweitzer, mas preferiu ficar em casa, acompanhando as novelas e os campeonatos…

A tarefa é imensa. Os operários são muito poucos. A colheita se perde. Os missionários estão sobrecarregados. Enquanto isso, muitos batizados acham que a missão é para… os outros…

Orai sem cessar: “Aqui estou! Envia-me! (Is 6,8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança