8/02/2019 – Era um homem justo… (Mc 6,14-29)

O profeta que apontou o Cordeiro de Deus também morreu como um cordeiro. Vítima inocente, seu martírio parece pouco valorizado entre nós. Talvez por não ser um “despachante” especializado, como aquele santo casamenteiro ou a santa das causas impossíveis. Ele apenas anunciou, denunciou e morreu.

De fato, a justiça incomoda. Não a justiça distributiva propalada pelas democracias, mas aquela Justiça maiúscula que revela a santidade de Deus encarnada em uma pessoa humana. É o caso de João Batista. Sobre ele, reflete Beda, o Venerável [673-735 d.C]:

“O santo precursor do nascimento, da pregação e da morte do Senhor demonstrou, no momento de sua morte, uma coragem digna de atrair os olhares de Deus. Como diz a Escritura, “se ele, aos olhos dos homens, sofreu um castigo, sua esperança era portadora da imortalidade”. (Sb 3,4)

Nós temos razão de celebrar com alegria o nascimento para o céu daquele que fez deste dia um dia solene por sua própria paixão, ilustrando-o com a púrpura de seu sangue. E nós veneramos na alegria espiritual a memória desse homem que selou com o selo de seu martírio o testemunho que ele prestava ao Senhor.

De fato, sem nenhuma dúvida, João Batista sofreu a prisão por nosso Redentor, a quem ele precedia por seu testemunho, e foi por ele que deu sua vida. Se seu perseguidor não lhe pediu para negar o Cristo, mas para calar a verdade, mesmo assim é pelo Cristo que ele morreu.

O próprio Cristo disse: “Eu sou a Verdade”. (Jo 14,6) E como foi pela verdade que João derramou seu sangue, foi também por Cristo. Ao nascer, João testemunhara que Cristo iria nascer; ao pregar, João testemunhava que Cristo iria pregar; ao batizar, que ele iria batizar. E ao sofrer primeiro a paixão, João significava que também Cristo deveria sofrê-la.”

Admiremos ainda mais a figura de João Batista. Todos os santos vieram DEPOIS de Cristo, pisando suas pegadas. João veio ANTES, deixando na areia do tempo as marcas que Jesus Cristo pisaria a seguir. Como precursor (aquele que corre na frente), o Batista aponta e aposta naquele que ainda não havia ressuscitado, em um ato de fé que se antecipa à fé de toda a Igreja.

Aquele que batizava com água foi batizado em seu próprio sangue.

Orai sem cessar: “Fala e não te cales. Porque estou contigo…”(At 18,9b-10a)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.