27/02/2019 – Em teu nome… (Mc 9,38-40)

O Nome de Jesus não tem dono. Ainda que a Igreja trabalhe em função desse Nome – e na Bíblia o “nome” se identifica com a “pessoa” -, a irradiação do amor derramado no Calvário atinge círculos concêntricos que vão muito além dos muros da Igreja. A Igreja é o Corpo de Cristo, mas não limita sua ação por todo o Cosmo.

No Evangelho, alguns discípulos pretendem que sua ação pastoral – no caso, a libertação dos maus espíritos – seja exclusiva deles, chegando a proibir alguém “de fora” que preste aquele serviço “em nome de Jesus”. Naturalmente, sofrem a pronta repreensão do Mestre.

Urs von Balthasar comenta que “é tolerável que um homem que não pertença à Igreja faça alguma coisa de salutar em nome de Jesus. Se ele adota esse nome, não se porá facilmente contra ele. A comunidade deve saber disso: não é somente nela que existe uma ação e um pensamento cristãos. Deus é bastante poderoso para fazer nascer certa disposição cristã – o copo d’água oferecido – mesmo fora da Igreja, e recompensar por isso o benfeitor”.

Bem, corremos um risco, denunciado por Jean Valette ao comentar este Evangelho: “Uma Igreja farisaica está em vias de nascer! Bem se veem as tentações que ameaçam a Igreja quando ela ainda está em seus inícios: determinar as prerrogativas, traçar as fronteiras e, finalmente, sufocar o Espírito ao pretender que sua ação só poderia ser exercida pelos canais competentes”.

Em contraste com o exclusivismo dos discípulos, ressalta a confiante humildade do Mestre, observa Valette: “Por certo o homem não se apresentou como seu discípulo, mas Jesus leva em conta o homem e o que ele faz. A confiança de Jesus em Deus é absoluta: ali está um homem que não o segue e que expulsa demônios. E como Satã não pode expulsar Satã, é pela vontade e pela força de Deus que ele os expulsa. Jesus não recua diante dos fatos, não os nega; ele nem sonha em impedi-lo, pois tem uma confiança pacifica em seu Pai. Jesus sabe também que seu Pai faz soprar o Espírito onde ele quer”.

Bela lição! Lição de confiança em Deus. Mas lição de humildade para corrigir nossos excessos – e nossa ilusão! –de que Deus só pode atuar através de nós. Não somos assim tão importantes, tão indispensáveis. Somos servos inúteis.

 

Orai sem cessar: “Derramarei do meu Espírito sobre toda carne!” (Jl 3,1)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.